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Política

Albuquerque passa ao plano B na lista para a Assembleia da República

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OCTÁVIO PASSOS

Depois do 'não' de Miguel Sousa, histórico do partido, sociais-democratas mudam da estratégia: a lista será feita com a nova geração

Marta Caires

Jornalista

Os nomes dos candidatos à Assembleia da República pelo PSD-Madeira ainda não foram apresentados na comissão política regional, mas Miguel Albuquerque passou já a um plano B depois do “não” de Miguel Sousa, seu adversário nas internas do partido e vice-presidente da Assembleia Legislativa. A lista será composta pela nova geração, uma estratégia arriscada para o partido que tem, neste momento, quatro deputados em São Bento.

Miguel Sousa, histórico do PSD-Madeira e antigo vice-presidente de Jardim, recusou o lugar de cabeça de lista mesmo depois de ter sido apresentado como o homem adequado para a função. Sousa é autor de uma proposta de lei para a criação sistema fiscal próprio, tido com uma das saídas para o financiamento da Madeira. Como deputado e com os contactos que tem em Lisboa – foi indicado para ministro no tempo de Santana Lopes - teria então a possibilidade de o defender na Assembleia da República.

Este era o plano que, entretanto, mudou por completo com a recusa de Miguel Sousa. Miguel Albuquerque viu-se então na necessidade de mudar a estratégia e estará agora apostado numa equipa feita pela nova geração do PSD e com uma média de idade abaixo dos 40 anos. Da lista, são dados como certos Paulo Neves, antigo diretor do Diário de Notícias da Madeira e jornalista da Rádio Renascença, e Rubina Berardo, que disputou a liderança da JSD e perdeu para o polémico José Pedro Pereira.

Dentro do PSD-Madeira, a opção é considerada arriscada e há quem defenda que seria melhor repetir a receita de Alberto João Jardim. Ou seja, Miguel Albuquerque, enquanto líder do partido, devia ser o cabeça de lista para dar força à candidatura, mas possibilidade foi posta de parte. Neste processo de renovação, existem dúvidas se não terá sido demasiado precipitado afastar todos os atuais deputados na Assembleia da República. A experiência de Guilherme Silva pode mesmo fazer falta, comenta-se. A proximidade a Jardim terá inviabilizado a continuação em São Bento.

O maior risco, no entanto, é o desempenho desta nova geração numa campanha eleitoral difícil para o PSD. O eleitorado não esquece que foi o governo de Passos Coelho que obrigou a assinatura do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro, com tudo o que significou e implicou na vida dos madeirenses: aumento de impostos, redução de investimentos e a autonomia financeira controlada a partir do Ministério das Finanças. A grande questão é saber se a renovação nas caras e nos nomes consegue manter os quatro deputados na Assembleia da República.