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Santana entre Belém e o regresso a Lisboa

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FOTO Luís Barra

Se Santana Lopes não for às presidenciais, há quem o queira ver nas autárquicas à reconquista da capital

Pedro Santana Lopes está tentado a ir às presidenciais mas tem gente a aconselhá-lo a reservar-se para as autárquicas. Ao que o Expresso apurou, Santana não afasta nenhum dos cenários. Confortável como provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o ex-primeiro-ministro, diz quem sabe, tem uma preferência natural — candidatar-se à sucessão de Cavaco Silva em Belém — mas também não desdenharia voltar à câmara de Lisboa, para tentar terminar o trabalho que deixou a meio.

“Seria a opção mais inteligente. Ele voltava a ganhar a câmara”, afirma um velho conselheiro de Santana Lopes. Uma tese que não é descartada nos meios socialistas, onde fonte próxima de Fernando Medina, o atual presidente da autarquia, reconhece que se Santana voltar a jogo em Lisboa isso não só não será um absurdo, como pode deixar o PS confrontado com um “adversário de peso”. 

Para já, Pedro Santana Lopes espera para ver quem se mexe à direita para a corrida presidencial. Se Rui Rio avançar antes das legislativas e com isso travar Marcelo Rebelo de Sousa, que sempre disse achar um erro haver mais do que um candidato na mesma área política, Santana tenderá a avançar.

“Contra o Marcelo ele não vai, mas contra o Rio ele ficará seriamente tentado a avançar”, antecipam nos bastidores do PSD. Sobretudo se o candidato da esquerda for Sampaio da Nóvoa, Santana Lopes terá a tentação de ir a jogo, convicto de que a vitória é possível. As sondagens, onde começou por surgir mal posicionado, têm-lhe vindo a animar as esperanças. E ao contrário de Rui Rio e de Marcelo Rebelo de Sousa, considerados na maioria hesitantes e imprevisíveis na hora de decidir, Santana é visto como o político que pode surpreender tudo e todos na hora de assumir o risco e mandar-se para o combate.

Importante para a sua decisão pode, no entanto, ser o resultado das legislativas. “Não será indiferente saber se a maioria perde ou ganha”, diz um santanista de sempre. Como não será indiferente ver como se chega ao outono, seja pela Grécia, seja pela situação da Europa, seja pela evolução dos casos judiciais que cercam o PS, seja pela forma como Passos e Portas fechem este ciclo. 

Há quem tema que se António Costa ganhar as eleições, rapidamente confirme que mantém Pedro Santana Lopes à frente da Santa Casa, tentando, assim, travá-lo na corrida presidencial. E há entre os mais próximos amigos do provedor quem considere que o mais prudente seria mesmo ele manter-se num lugar onde tem indiscutível peso institucional e pouco risco político. 

Santana fecha-se em copas. Inúmeras tentativas do Expresso para o contactar foram, nos últimos tempos, infrutíferas. Preparará o salto para a praça?