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Passos. Se não for possível entendimento até ao final da semana, Europa deve “preparar-se para o pior”

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STEPHANIE LECOCQ

Numa conferência de imprensa no final de uma cimeira da zona euro, o primeiro-ministro sublinhou a urgência de um acordo com Atenas e disse que Alexis Tsipras comprometeu-se a apresentar até quinta-feira uma proposta de programa “convincente”

O primeiro-ministro sublinhou hoje, em Bruxelas, a urgência de um acordo com Atenas, afirmando que se "ao até final da semana não for possível chegar a um entendimento", a Grécia e a zona euro "têm que se preparar para o pior".

Falando numa conferência de imprensa no final de uma cimeira da zona euro, Pedro Passos Coelho disse esperar "que haja desenvolvimentos positivos nos próximos dias", mas admitiu que se não for possível fechar um acordo até domingo, será necessário preparar outros cenários, embora referindo que hoje não foi discutida a saída da Grécia da zona euro.

O governo grego comprometeu-se esta terça-feira, perante os seus parceiros, a apresentar dentro de dois dias uma proposta de programa "convincente", anunciou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no final de uma cimeira da zona euro, realizada hoje em Bruxelas.

Em conferência de imprensa, Passos Coelho indicou que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, além de se ter comprometido a formalizar na quarta-feira um pedido de ajuda, também apresentará, até quinta-feira, as suas propostas de reformas para tentar convencer os parceiros europeus a concordar com um terceiro "resgate".

O primeiro-ministro observou que, face à situação de emergência a que a Grécia chegou, o novo programa de reformas terá que ser forçosamente "mais ambicioso" do que se exigia há alguns meses, da mesma forma que as necessidades financeiras associadas a um terceiro programa de assistência - que Passos Coelho frisou que terá que ser o último - são também maiores do que eram anteriormente.

"Do ponto de vista político, é urgente e indispensável que seja retomada a relação de confiança e previsibilidade entre as partes. Do ponto de vista económico, o ponto em que nos encontramos hoje é incomparavelmente pior do que aquele que nos encontrávamos em janeiro, e, por isso, um eventual acordo implicará um muito maior compromisso financeiro do lado dos parceiros da Grécia, provavelmente duas vezes maior, e uma grande capacidade de implementação por parte do governo grego, com novos sacrifícios do povo grego", enfatizou Passos Coelho.

Apontando que Tsipras ficou de apresentar no prazo de dois dias um "programa com todas as medidas de natureza financeira e de natureza estrutural" que o governo se propõe implementar para "fechar" o terceiro programa, de modo a que possa ser avaliado pelo Eurogrupo, Passos Coelho voltou a lamentar que as negociações se tenham arrastado ao longo de quase meio ano, forçando a que agora um novo programa tenha que ter "uma ambição maior", o que considera ser "uma constatação prática".

"Todos temos a noção clara de que a situação se deteriorou o suficiente para que essas medidas exijam com certeza um esforço muito grande por parte de quem as vai executar, quer na dimensão estrutural - o esforço estrutural hoje é muito mais ambicioso do que teria sido há meio ano atrás -, mas do ponto de vista dos objetivos estritamente orçamentais o esforço também terá que ser maior", assinalou.