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“Apoiar a Grécia é defender Portugal”

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Tiago Miranda

Rui Tavares, o cabeça de lista por Lisboa do partido Livre/Tempo de Avançar, acusou numa conferência de imprensa o Governo português de ter agravado o problema

O cabeça de lista por Lisboa do partido Livre/Tempo de Avançar, Rui Tavares, defendeu esta terça-feira que "apoiar a Grécia é defender Portugal", considerando que a posição "inflexível" do Governo tem "piorado o problema".

"Apoiar a Grécia é, neste momento, defender Portugal, apoiar a Grécia é, neste momento, defender um futuro para a Europa", afirmou o dirigente numa conferência de imprensa em Lisboa.

Rui Tavares considerou que "o Governo português tem optado, nos últimos tempos, por uma posição de uma enorme inflexibilidade, uma posição de uma enorme rigidez, que tem piorado o problema em vez de ajudar a resolver", posição que o dirigente do Livre/Tempo de Avançar considera que "não está em linha com aquilo que o povo português deseja neste momento para o seu futuro, para o futuro da Europa e também para o futuro dos concidadãos gregos".

O cabeça de lista por Lisboa defendeu também que o executivo de Passos Coelho deve, então, "finalmente optar por uma posição que esteja à altura daquilo que Portugal é como país e daquilo que Portugal necessita também como economia e como sociedade para o futuro".

"Nós transmitimos também uma mensagem ao Governo português, que estará esta terça-feira na cimeira europeia, dizendo muito claramente que é preciso escolher o lado de Portugal, que é também o lado da Grécia, que é também o lado das economias que têm sofrido com esta crise", afirmou.

A conferência de imprensa, que decorreu junto a um cartaz do partido com palavras de apoio à Grécia, no Saldanha, em Lisboa, contou também com a ex-parlamentar bloquista Ana Drago. A número dois da lista de candidatos a deputados pelo círculo da capital sublinhou que "era hoje necessário que os portugueses soubessem o que é que Passos Coelho vai dizer na cimeira europeia".

A dirigente ressalvou que é necessário saber se o primeiro-ministro "vai defender uma narrativa do Governo, que só piorou a situação portuguesa e agravou a situação da dívida portuguesa também", ou se "vai ser capaz de defender o interesse nacional, de defender o interesse do país e dos portugueses e estar do lado da Grécia no sentido de encontrar uma solução rápida para uma crise muito complicada que precisa de uma resolução que permita, de facto, trilhar um caminho de futuro".

Rui Tavares acrescentou ainda que "o povo grego votou livre contra chantagens, contra pressões, passando uma mensagem de dignidade e de coragem e uma mensagem que deve ser ouvida por toda a Europa".

Quanto ao futuro, o dirigente do Livre/Tempo de Avançar defendeu que "não adianta nesta hora da verdade para a Europa empurrar a Grécia mais ainda para o abismo", mas sim "rapidamente concentrar esforços na reestruturação da dívida, no alívio necessário para a economia grega e, num plano de futuro, de reestruturação das dívidas em geral da União Europeia, com um plano de recuperação para as economias europeias".

Na sequência da vitória clara do "não" (61,3%) na consulta popular que se realizou na Grécia no domingo, realiza-se esta terça-feira uma cimeira da zona euro em Bruxelas, a ter início às 18h locais (17h de Lisboa) e que será antecedida de uma reunião dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo), às 13h (12h de Lisboa).