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António Costa teria deitado “fora os esforços dos portugueses” por “solidariedade ideológica”

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ESTELA SILVA / Lusa

Passos e Portas reagem aos resultados do referendo helénico. Primeiro-ministro diz que a Europa já passou por situações piores nos últimos cinco anos, vice-PM ataca posicionamento do PS

Enquanto Passos Coelho defende que não pode haver retrocessos e acredita que a União Europeia tem hoje outras ferramentas para "responder e gerir situações de crise", Portas defende que a coligação PSD-CDS moveu-se pelo interesse dos portugueses e aponta contradições a António Costa face à Grécia - diz que o secretário-geral do teria deitado "fora os esforços dos portugueses" por "solidariedade ideológica".

Se o líder socialista "fosse primeiro-ministro, mal o Syriza ganhou tinha corrido a fazer solidariedade ideológica e de caminho aproximava Portugal do problema, não separava o caso português dessa instabilidade, e deitava fora os esforços dos portugueses e a capacidade de os portugueses recuperarem os seus rendimentos", defendeu Portas. "O PS nunca foi capaz de fazer uma revisão crítica sobre o que aconteceu em 2011 e por isso tem esta ambiguidade em relação à Grécia".

O vice-primeiro ministro falava na abertura das jornadas parlamentares conjuntas de PSD e CDS-PP, em Alcochete, numa intervenção em que enumerou os responsáveis europeus que são socialistas e recomendando ao secretário-geral do PS que se queixe da política europeia, em primeiro lugar, a esses dirigentes que pertencem à sua família.

"Está em causa um projeto comum que tem de ter regras comuns. Se o PS quer outra política europeia relativamente à Grécia, deve, em primeiro lugar, queixar-se dos seus homólogos socialistas que por essa Europa fora têm dito coisas muito diferentes do que o PS tem dito em Portugal.".

Portas insistiu muito na interrogação relativa ao que "Portugal teria a ganhar em associar o seu caso e o seu esforço a uma situação como a da Grécia, com a insegurança e a volatilidade que ela gera?". "Nós não estaríamos a fazer bem aos portugueses, podíamos estar a fazer proselitismo ideológico, mas o interesse nacional tem de prevalecer sobre atitudes manifestamente partidárias", disse.

"Nós somos europeus e queremos que os gregos superem os problemas que têm, mas o nosso primeiro dever é com os portugueses, os portugueses esforçaram-se muito para vencer a bancarrota, não têm nenhuma vantagem em serem neste momento associados a um Estado que entrou em 'default' e que tem as dificuldades que a Grécia tem", frisou.

Passos: Europa já passou por pior

"A integridade do euro não está em causa e não creio que o resultado deste referendo ponha em causa nem a zona euro, nem a integridade do euro", referiu Pedro Passos Coelho, esta segunda-feira de tarde, à saída de um encontro com o seu homólogo da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, naquela que é a sua primeira visita oficial a este país. 

"Creio que na União Europeia, nos últimos cinco anos, já passámos por situações bem mais complexas" e hoje existe "uma capacidade de responder e gerir situações de crise que não existia" na altura, acrescentou.

A vitória do "não" na consulta popular só "mostra claramente que o povo grego não está interessado nos moldes que foram apresentados para as negociações que se desenrolaram entre as instituições da 'troika' e o Governo grego". E quanto a isso só há uma opção: "devemos respeitar essa vontade". Agora," cabe ao governo grego saber como quer conduzir a situação do seu próprio país". A palavra está do lado de Atenas, que deve ir ao encontro das "expectativas" do povo, insistiu Passos, com uma mensagem clara de que "não nos podemos ingerir nos outros Estados". "Nem Portugal, nem nenhum outro país da UE tem o direito de estar a impor soluções à Grécia", sublinhou.