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António Costa quer a Grécia no euro

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O líder socialista afirma que é urgente uma "recusa inequívoca de qualquer Grexit"

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

António Costa manifestou-se esta segunda-feira a favor da manutenção da Grécia no euro, ao mesmo tempo que apelou a uma mudança de estratégia na resolução da crise e desafiou o Governo a adotar uma posição construtiva para virar a página da austeridade".

"A afirmação clara da integridade irreversível do euro e a recusa inequívoca de qualquer 'Grexit' é urgente para garantir a estabilidade das condições de financiamento no conjunto da zona euro", afirmou o líder socialista numa conferência de imprensa na sede do partido.

Na mesma declaração, Costa disse que o interesse nacional é o do reforço da UE e da superação da crise, e que esta representa uma "nova oportunidade para uma nova abordagem da crise da zona euro, que não se centre exclusivamente na Grécia".

"Esta é também uma última oportunidade para o Governo português adotar uma posição construtiva, que sirva o interesse nacional e a urgência para as famílias e empresas portuguesas de virarmos a página da austeridade, relançar a economia e o emprego, e de garantir um novo impulso para a convergência de Portugal com a UE e a confiança no euro", afirmou ainda.

Apelo à mudança de estratégia
Para António Costa, a rejeição em referendo da proposta de acordo tem de ser respeitada, pelo que seria "absolutamente inaceitável" que essa recusa fosse entendida como uma recusa de participar na zona euro ou sirva de pretexto para tentar excluir a Grécia do euro.

O secretário-geral dos socialistas considerou como um "erro isolar a situação da Grécia do conjunto da zona euro" e apelou à necessidade de "mudar de método e de estratégia" relativamente à crise.

"Sem desvalorizar as diferenças substanciais da situação em cada país, a Grécia é a mais dramática ilustração do fracasso das politicas de austeridade", sublinhou Costa, para quem a continuação desta "estratégia errada" conduz ao agravamento dos seus resultados e põe em causa o projeto europeu.

Neste sentido, o líder socialista apelou a "uma abordagem conjunta e solidária no seio das instituições", em vez de proclamações unilaterais ou negociações bilaterais entre credores e devedores.

Questionado sobre as declarações em sentido contrário do líder do SPD alemão, Sigmar Gabriel, que afirmou que estavam quebradas todas as pontes com o Governo grego, Costa disse que o dirigente alemão "falou mais como vice-chanceler".