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Nuno Melo: “Isto vai acabar mal: ou cai a Grécia ou cai o Syriza”

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Lusa

O eurodeputado centrista diz que não se pode “vilipendiar” os credores em campanhas de rua e achar que no dia seguinte eles mantêm a melhor disponibilidade para ajudar. Nuno Melo deseja que a Grécia encontre uma solução, mas “com o Syriza caminha para o pior”

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor da SIC

A leitura de Nuno Melo - que não confunde a Grécia com o Syriza - não podia ser mais pessimista: “Uma tragédia grega”. Com a vitória do “não”, o eurodeputado centrista aponta um desfecho: “Ou a Grécia se arruína ou o Syriza tem de cair”. “Isto vai acabar mal.”

Melo, crítico desde a primeira hora da atuação de Tsipras, diz que “não se governa um país com proclamações de rua a hostilizar os credores. Pode conseguir-se primeiras páginas e até vitórias em referendos, mas o primeiro prejudicado é a própria Grécia. O país precisa de liquidez. O Estado grego precisa de dinheiro”. O eurodeputado lembra que a “única receita garantida para satisfazer as necessidades dos gregos é o chamado 'bail in', ou seja, a cativação dos depósitos. Isto depois da gigantesca fuga de capitais”.

Na lógica do centrista, e depois da campanha pelo “não” do executivo grego, é muito difícil aceitar um recuo dos credores. “Depois de vários países, como Portugal, terem sido sujeitos a programas fortíssimos, não é admissível que a UE dê agora aos gregos o que não deu aos outros.” Ou seja, “ou o Syriza se demite ou terá de ponderar seriamente a sua participação na zona euro”.

E em Portugal que reflexos terá o que se está a passar em Atenas? “Se há consequência óbvia é que Portugal pode agora ver na Grécia o que teria acontecido se tivéssemos feito o que o PS e os partidos mais à esquerda defendiam para o país”, diz Melo, lembrando que esta diferença se está a tornar cada vez mais nítida. Fica um cheirinho do discurso para as legislativas.