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Durão Barroso. Se Portugal não está como a Grécia a culpa é de Passos

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Passos Coelho e Durão Barroso em Bruxelas em novembro de 2013

Getty

Ex-presidente da Comissão Europeia saudou o primeiro-ministro português pelas política seguidas que, em seu entender, impediram que Portugal ficasse como a Grécia

O ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, aconselhou esta quinta-feira os portugueses a olharem para a Grécia, sustentando que Portugal não está na mesma situação graças à determinação do Governo PSD/CDS-PP chefiado por Pedro Passos Coelho.

"Aos portugueses, eu gostava de dizer que olhem para a Grécia, que pensem no que se está a passar na Grécia, porque era exatamente isso que poderia estar a passar-se em Portugal, se não fosse, se não tivesse sido a determinação do Governo português e do seu primeiro-ministro, que quero saudar", declarou o anterior presidente da Comissão Europeia.

Na apresentação do livro "O outro lado da governação", dos ex-governantes Miguel Relvas e Paulo Júlio, num hotel de Lisboa, Durão Barroso defendeu que a Grécia entrou numa "situação terrível" devido a "decisões políticas", quando "iniciava a recuperação económica", e considerou "completamente injusto" que se critique as instituições credoras.

O antigo primeiro-ministro e antigo presidente do PSD falou da Grécia a meio da sua intervenção sobre este livro, editado pela Porto Editora.

"Seria talvez estranho que eu não referisse o que se passa na nossa Europa com a Grécia. A Grécia está numa situação dramática", disse, lamentando que isso tenha acontecido "depois de tantos sacrifícios feitos pelo povo grego, e quando se iniciava a recuperação económica".

Segundo Durão Barroso, "quando se iniciava a saída da crise, por decisões políticas, a Grécia está precipitada numa situação terrível, onde as pessoas não têm acesso ao dinheiro que pouparam, onde os pensionistas estão à espera de saber se podem ir receber as suas pensões, e onde o Estado está à beira da rutura financeira".

O ex-presidente da Comissão Europeia recebeu um aplauso prolongado quando recomendou aos portugueses que olhassem para a Grécia e elogiou a atual governação PSD/CDS-PP.

"A verdade é que a situação portuguesa, à partida, era igual ou pior do que a Grécia, se considerarmos a dívida pública e a dívida privada", alegou.

"E a razão pela qual Portugal não está hoje na situação dramática em que se encontra aquele país é que houve um Governo com determinação e que quis ele próprio apropriar-se das reformas necessárias. Esta é a razão essencial", reiterou.

Durão Barroso advogou que "não se pode impor uma reforma a partir do exterior" e que isso é que explica a diferente situação da Grécia em comparação com Portugal, Irlanda e Espanha.

"É preciso que o próprio país entenda onde chegou e o que há a fazer, e que as reformas não sejam impostas de fora, mas que sejam prosseguidas com determinação pelas autoridades nacionais", reforçou.

Neste ponto, Durão Barroso contestou a ideia de os países sob resgate tenham perdido a sua soberania e saiu em defesa da troika composta por Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional.

"Não foi a troika que trouxe a crise, foi a crise que trouxe a 'troika'", afirmou. "E por isso é completamente injusto criticar aqueles que ajudaram, é completamente injusto criticar as instituições que, sem dúvida, com imperfeições, deram o seu melhor, nomeadamente o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia", acrescentou.

Durão Barroso concluiu esta parte do seu discurso afirmando que a Grécia está "outra vez à beira do precipício", mas que ainda tem "alguma esperança de que se evite o pior".

Quanto a Portugal, considerou que há agora "condições de maior prosperidade e de maior justiça social" e apelou ao "prosseguimento das reformas estruturais"