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Política

Costa denuncia 7 pecados capitais do Governo

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TIAGO PETINGA / LUSA

Numa altura em que continua sem se saber como vai acabar o braço-de-ferro entre a UE e a Grécia, e um dia depois da entrevista onde Sócrates se afirma preso por razões políticas, o líder do PS tenta recentrar o debate no balanço da atividade governativa e anuncia que vai levar a voz dos portugueses ao Estado da Nação - que se debate no Parlamento no dia 8

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Com as suas propostas para "uma alternativa de confiança" a passarem para segundo plano face ao contínuo notíciário sobre a crise grega e face à entrevista em que José Sócrates reclama estar a ser vítima de perseguição política, António Costa tenta trazer o debate de volta ao tema que mais lhe interessa explorar rumo às legislativas de setembro / outubro: o balanço da atividade governativa, a exatamente uma semana do debate parlamentar sobre o Estado da Nação.

Os canais televisivos de informação já tinham tudo a postos para a emissão em direto da apresentação de Jorge Jesus aos sócios do Sporting. Mas tiveram de fazer um desvio até ao Largo do Rato: o secretário-geral do PS fazia uma declaração ao país às 17h. Para anunciar que este Governo enferma de  "sete pecados capitais" e garantir que daqui até dia 8 estará no terreno para levar a voz aos cidadãos ao debate do Estado da Nação, na Assembleia da República.

"A preocupação que temos com a Grécia não nos pode diminuir nem distrair da preocupação que temos com Portugal, mais concretamente com aquilo que atinge o dia-a-dia dos portugueses e com aquilo que no dia-a-dia compromete a atividade das empresas portuguesas. Aquilo que acontece em Portugal, que atinge os portugueses e as empresas portuguesas não resulta do que se passa da Grécia, mas da atuação do Governo", explicou António Costa, que antes acusara o Executivo liderado por Passos Coelho de se esconder atrás da Europa ou do passado.

O secretário-geral socialista considerou que o Governo cometeu "sete pecados capitais" ao longo desta legislatura, sendo o primeiro deles "as falsas promessas da campanha das legislativas de 2011, quando o atual primeiro-ministro garantiu que não cortaria salários, pensões e não aumentaria impostos". Os outros: o aumento do desemprego, da precariedade e da emigração, a asfixia da classe média, o aumento da pobreza e desigualdades, o abandono da prioridade ao conhecimento (com desinvestimento na ciência, educação e cultura), o ataque aos serviços públicos e, finalmente, as quebras brutais nos investimentos público e privado.

"A direita não se pode esconder nem atrás do passado, nem atrás da Europa. Este é o momento de fazer o balanço da sua governação, respondendo pelos sete pecados capitais que lançaram Portugal numa rota de retrocesso. Este é o momento de fazermos o debate do Estado da Nação com os cidadãos e de fazermos na Assembleia da República o debate dos cidadãos com o Governo."