Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Passos explica a obsessão do défice: é preciso “boas contas” em tempos de perturbação

  • 333

HUGO DELGADO / Lusa

“Quando a política falha, quando os políticos não revelam o nível de responsabilidade suficiente, é nesse dia que se submetem à ditadura das finanças”

O primeiro-ministro, Passos Coelho, defendeu esta terça-feira que Portugal deve manter-se "dentro desta nova normalidade", que considera indispensável para, nos próximos anos, remover "os resquícios de austeridade", sem penalizar os mais vulneráveis e que têm rendimentos mais baixos.

Ao discursar numa sessão na Câmara de Viseu, Passos Coelho referiu que Portugal deve conseguir, "pela primeira vez, que o défice das contas públicas fique abaixo dos 3%", sendo a meta do Governo os 2,7%. "Os dados de que dispomos continuam a apontar para que esse objetivo seja alcançado. Isso é indispensável a Portugal", frisou.

Apesar da possibilidade de virem a ocorrer "tempos de maior perturbação financeira nos mercados externos", o governante garantiu que Portugal tem "reservas suficientes" para passar este período. 
"Temos o suficiente para esperar que uma resposta mais robusta da área do euro possa vir a acontecer em defesa da própria zona euro, se isso for necessário", acrescentou.

No entanto, segundo Passos Coelho, em períodos de maior perturbação ainda é mais importante mostrar a determinação de Portugal "em ter boas contas e em aliviar a pressão sobre os portugueses", sendo esse o motivo por que o Governo faz "tanta questão de ficar com o défice abaixo dos 3%". "As pessoas muitas vezes acham que esta é uma perspetiva um bocadinho economicista de tratar os nossos problemas públicos. Mas não é. Quando a política falha, quando os políticos não revelam o nível de responsabilidade suficiente, é nesse dia que se submetem à ditadura das finanças", considerou.

O primeiro-ministro lembrou que Portugal vai ter acesso "a mais de 20 mil milhões de euros nos próximos anos em termos de financiamento europeu", que serão maioritariamente destinados à promoção da competitividade dos territórios, da economia e das empresas. Apesar de os mercados financeiros já permitirem o investimento que é preciso para o desenvolvimento de Portugal, considerou que "ainda não está tudo feito".


"À nossa escala, estamos a fazer o que é preciso. Do lado da Europa ainda precisamos de mais aperfeiçoamentos nesta matéria, seja ao nível da união bancária, seja ao nível da chamada união financeira, que pressupõe também a união de mercados de capitais", defendeu.

Passos Coelho fez votos para que "o que se está a viver com a Grécia não impeça essa discussão na Europa e, pelo contrário, até acelere algumas das decisões" que é preciso tomar. "Devemos acelerar a nossa discussão e adotar decisões importantes até ao final do ano que mostrem a vontade que ao nível da zona euro existe de fortalecer o euro, de trazer uma união bancária e uma união financeira que coloque todas as empresas em melhor condição de competição, de modo a não prejudicá-las pela sua geografia", acrescentou. 

Na sua opinião, "as empresas, desde que sejam boas, tenham bons projetos, devem ser tratadas da mesma maneira seja em Itália, França, Alemanha ou em Portugal". "Nós temos boas empresas, bons projetos, bom pessoal, não há nenhuma razão para sermos discriminados negativamente", frisou.