Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Passos: “Não somos apanhados desprevenidos nesta fase”

  • 333

FOTO NUNO ANDRÉ FERREIRA

Primeiro-ministro acredita que não há razões para alarme quanto à Grécia, frisando que em períodos maior perturbação dos mercados há "respostas mais robustas" na defesa da própria zona euro

Passos Coelho voltou esta terça-feira a garantir que o país está atualmente numa situação mais confortável, estando preparado para evitar um eventual contágio da crise grega. Diz também que, à partida, será possível Portugal cumprir no final do ano com um défice inferior a 3%.

"Não somos apanhados desprevenidos nesta fase. Num período de maior perturbação dos mercados financeiros temos o suficiente para esperar que uma resposta mais robusta da área do euro possa vir a acontecer em defesa da própria zona euro, se isso for necessário", declarou o primeiro-ministro durante uma sessão solene que decorreu no salão nobre da Câmara de Viseu, esta manhã.  

O chefe do Governo defendeu que é em fases de maior perturbação nos mercados, como a que se regista atualmente, que se torna ainda mais urgente mostrar "determinação" para alcançar a meta do défice orçamental de 2,7% em 2015 e "aliviar a pressão" sobre os portugueses.

"Há quatro anos, quando iniciámos o caminho, o défice público era superior a 10% da riqueza nacional, isso significava quase 20 mil milhões de euros: Este ano devemos conseguir pela primeira vez que o défice das contas públicas fique abaixo dos 3%. O objetivo da meta de 2,7% deve ser alcançado", apontou.

As palavras de Passos podem ser entendidas também como uma resposta ao reparo feito esta segunda-feira pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental, que deu conta de que o défice orçamental registado no primeiro trimestre, 5,8% do PIB, apresenta um "desvio desfavorável" e é "um fator de risco" face ao objetivo final estimado pelo Executivo. 

"O Estado Social foi reforçado, apesar das dificuldades"
O primeiro-ministro salientou ainda que a opção da sua equipa de governação permitiu a redução do financiamento necessário para o Orçamento do Estado, sem colocar em causa os objetivos da política económica e social. 

"Podem achar que esta é uma visão demasiado economicista, mas não é. Se queremos conquistar autonomia e livrarmo-nos dessa ditadura financeira temos que possibilitar resultados ao nível do que os portugueses esperam", disse em Viseu.

"É preciso remover nos próximos anos os resquícios da austeridade que tivemos que viver, sem esquecer aqueles que precisam de atenção redobrada do Estado e apoio das políticas públicas. Felizmente, o Estado Social foi reforçado, apesar das dificuldades", sustentou.

No passado dia 20 de junho, Passos já tinha defendido, em entrevista à Reuters, que o país estava mais imune a riscos de contágio, tendo uma almofada financeira até meados de 2016.