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Costa quer negociação na Grécia. “Nesta fase, é o povo grego que deve decidir”

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TIAGO MIRANDA

Líder socialista diz que é urgente substituir negociações radicais por posição construtiva e diz que se têm de respeitar os resultados do referendo. E critica o Governo por não se ter empenhado num acordo

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

António Costa é a favor de uma negociação com  Grécia e critica a "imprudência" do Governo português, entre outros, de não se ter empenhado num acordo. Ao mesmo tempo, afirma que se devem respeitar os resultados do referendo naquele país. 

"É o povo grego que deve decidir", diz o secretário-geral socialista numa declaração publicada na Ação Socialista, com o título "Só um acordo serve o euro e Portugal". Segundo Costa, não é a primeira vez que um Estado-membro recorre ao referendo para decidir questões com a União Europeia "e devemos respeitar, como sempre respeitámos nos outros Estados". 

E acrescenta: "o que nos compete é respeitar esse debate que nesta fase lhe pertence, nunca esquecendo que não há divergências políticas que possam ignorar a solidariedade devida ao povo grego", afirma ainda. 

"O decisivo é que, qualquer que seja o resultado do referendo, com este ou outro plano, seja garantida a integridade da zona euro, o financiamento das economias e uma política económica que permita o crescimento, a convergência e a criação de emprego", diz. 

"Imprudência" e "erro estratégico" do Governo
Para Costa, " insucesso das negociações não é uma boa notícia", sendo que "o interesse nacional, o interesse das famílias e empresas portuguesas, é fortalecer a zona euro e a capacidade de intervenção do BCE, como sempre defendeu o PS, contra a posição do Governo", destaca. 

Segundo o líder socialista, "é urgente substituir o confronto entre posições radicais por uma negociação construtiva e a intranquilidade que estamos a viver demonstra a imprudência de quem, como o governo português, não se empenhou num acordo e o erro estratégico de quem pensa ser possível virar a página da austeridade numa posição unilateral de confronto". 

"A Grécia é o trágico exemplo do insucesso da austeridade. Na zona euro nenhum país sofreu tanta austeridade e nenhum está em pior situação", conclui António Costa.