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“Se temos maus políticos é porque os portugueses querem”

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As declarações são de Carlos César, no encerramento do congresso do PS-Madeira. E acrescenta: "Se temos más políticas é porque os portugueses querem, sobretudo os que não vão votar"

Marta Caires

Jornalista

As más políticas e os maus políticos são responsabilidade dos portugueses. Carlos César não tem dúvidas e disse-o, este domingo, no discurso de encerramento do congresso do PS-Madeira. “Se temos maus políticos é porque os portugueses querem, se temos más políticas é porque os portugueses querem, sobretudo os que não vão votar”. Mesmo os que sabem que este governo “não presta”. 

Os portugueses são responsáveis pela eleição dos políticos,  mas isso não iliba o governo, nem os erros que cometeu, as mentiras e as falsas promessas de que não aumentaria os impostos. O mesmo governo que tudo fez para destruir uma das melhores realizações do Portugal do pós-25 Abril: o sistema nacional de saúde. Essas são responsabilidades de quem governou o país nos últimos quatro anos. 

A alternativa, segundo Carlos César, é votar no PS nas próximas eleições. Se assim for, o presidente do PS garantiu que se fará tudo para recuperar o emprego e a economia portuguesa. Estas são as bandeiras de António Costa, o líder que, à ultima hora, cancelou a visita à Madeira e a participação no congresso dos socialistas madeirenses. O estado de saúde crítico Maria Barroso, ex-primeira dama, terá sido a razão para não se deslocar à Madeira. 

Além do discurso no encerramento do congresso, António Costa tinha ainda uma audiência com Miguel Albuquerque na Quinta Vigia, que estava marcada para esta segunda-feira. O encontro entre o presidente do Governo Regional e o líder nacional do PS foi acertado por Carlos Pereira, o novo presidente dos socialistas madeirenses, cuja moção foi aprovada por unanimidade. 

Pereira, deputado, ex-vereador da Câmara do Funchal e o primeiro político a alertar para a dimensão da dívida pública regional, chega a líder do PS depois de vários anos de derrotas eleitorais, a mais dramática ocorreu nas eleições regionais de 29 de Março. Sem ilusões, Carlos Pereira assume que vai começar do zero e preparar o partido para ganhar as eleições regionais de 2019. 

O primeiro combate, no entanto, são as eleições nacionais. Carlos Pereira pediu voto útil, uma escolha entre as propostas socialistas e as propostas da coligação. Mesmo que, na Madeira, não exista coligação entre PSD e CDS, Pereira diz que a situação é a mesma, os dois partidos defendem as mesmas propostas e são responsáveis pela terrível austeridade em que a Madeira viveu nos últimos quatro anos. 

O congresso acabou, o PS tem um novo líder, mas não se sabe que impactos terá esta mudança em termos eleitorais. Dos seis deputados do círculo eleitoral da Madeira, o PSD tem quatro, o CDS um e o PS um.