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Marques Mendes e as semelhanças entre Tsipras e Pilatos

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Marques Mendes diz que Alexis Tsipras teve "um ato de fraqueza e hipocrisia" ao anunciar um referendo sobre o acordo com os credores.

Luís Marques Mendes criticou duramente a atuação do primeiro-ministro grego nas negociações dos últimos dias com os credores, ressalvando a falta de coragem de Alexis Tsipras.

"Com o referendo, chutou a bola para o povo grego e lavou as mãos, como Pilatos. É um ato de fraqueza e hipocrisia, porque o Governo serve para tomar decisões", disse esta noite, no Jornal da Noite da SIC. "Na prática o que irá acontecer é que se vai referendar se a Grécia quer estar na zona Euro ou não", acrescentou.

Segundo Marques Mendes, independentemente do resultado do referendo, o Governo grego irá perder. "É um jogo muito perigoso e é o princípio do fim do Syriza. Se o 'sim' [ao acordo com os credores] ganha, é uma espécie de moção de censura ao Governo. Se o 'não' ganha, a Grécia entra num caos", considerou.

O ex-líder do PSD acrescentou que em caso de vitória do 'não', a Grécia fica sem dinheiro e é obrigada a emitir dracma, saindo então do Euro. "Vai ser uma espécie de Argentina há 15 anos e as pessoas vão revoltar-se com o caos", apontou. "Nessa altura os gregos vão ter mais austeridade do que aquela que hoje criticam", opinou, lamentando a situação do povo grego.

Elogios a António Costa

Relativamente à entrevista feita pela SIC a António Costa, esta semana, Marques Mendes só teve elogios para o líder do PS. "Já ouvi várias críticas mas acho que foi uma entrevista positiva. Centrou bem as coisas no emprego", disse.

Marques Mendes também considerou que Costa fez bem em "piscar o olho" ao Livre, "que poderá ser um aliado no futuro", e aproveitou para elogiar o novo partido de Rui Tavares e Ana Drago, que "inovou muito nos métodos políticos com as primárias para decidir os candidatos".

Relativamente à possibilidade da devolução da sobretaxa em 2016 - notícia avançada hoje pelo Expresso na sua edição semanal -, o comentador político considerou que o facto de a cobrança fiscal estar acima do esperado poderá ter benefícios para todos, porque deixará "o défice no final do ano abaixo dos 2,7% previstos" e "o cidadão deve ter alguma vantagem, não apenas a máquina do Estado".