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E se Rui Tavares perder as eleições do Livre?

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Jose Carlos Carvalho

Este fim de semana, a coligação eleitoral Livre/Tempo de Avançar faz eleições primárias para decidir a lista de candidatos às Legislativas. O lugar de Ana Drago e de Rui Tavares como cabeças de lista não está garantido. Fica nas mãos de oito mil simpatizantes e militantes

Não há vencedores à partida. O Livre fez questão de inovar a vida política nacional, dando a voz aos militantes na escolha dos candidatos e na sua ordenação nas listas que leva às eleições. "Deixar a democracia falar",  era o mote que Rui Tavares tomava como uma prioridade política. Este fim-de-semana, a prova dos nove vai ser tirada. Com 20 mesas de votos espalhadas pelo País, os militantes ou simpatizantes do programa eleitoral do Livre/Tempo de Avançar vão ter a última palavra para dizer quem querem ver sentado na bancada parlamentar que a coligação sonha vir a ter na próxima Legislatura.

São 8 mil votantes. Vinte vezes mais do que os 400 que, nas últimas Europeias, constituiram o universo eleitoral das primeiras Primárias do Livre. A notícia é boa, na medida em que significa como o projecto político cresceu em ano e meio de vida. Mas tem um reverso na medalha: se, para as Europeias, a eleição de Rui Tavares como cabeça de lista foi, praticamente, garantida à partida. Agora, tudo está em aberto. Até mesmo um lugar ao sol de Ana Drago, a ex-dirigente bloquista, que fundou o Tempo de Avançar e regressou à política activa aliando-se a Tavares para uma coligação eleitoral.

A concorrência é grande. A "democracia falou alto" e 410 candidatos aceitaram inscrever-se nas listas do Livre/Tempo de Avançar. No círculo de Lisboa - onde a coligação espera ter a sua mais representativa base eleitoral - há 160 personalidades na corrida. Ana Drago e Rui Tavares são apenas dois deles. Mas há gente de todas as idades, percursos políticos e origens profissionais, que tornam qualquer prognóstico impossível de travar.

Por Lisboa, por exemplo, correm José Manuel Tengarrinha, o histórico fundador e dirigente do MDP/CDE. Mas também Isabel do Carmo, a ex-dirigente das Brigadas Revolucionárias, ou o dirigente da Renovação Comunista e ex-PCP, Paulo Fidalgo. E, claro, há muitos rostos que pela primeira vez entram na política activa, como os jornalistas Jorge Wemans e José Vitor Malheiros. Ou André Nóvoa, o filho do candidato presidencial Sampaio da Nóvoa. Ou o sociólogo André Freire e o actor André Gago. Há ainda dirigentes do Livre, bloguers ou activistas de movimentos de cidadãos. O melting pot é total. O desfecho imprevisível.

No Porto, a disputa entre candidatos do Livre/Tempo de Avançar é menos forte, mas igualmente difícil de antecipar os resultados. São 70 os activistas dispostos a correr até ao Parlamento e a principal novidade é o regresso de Ricardo Sá Fernandes à política activa, depois de mais de 30 anos de intervalo.

O Livre/Tempo de Avançar concorre a todos os círculos eleitorais do País e de fora da Europa. As primárias terminam no domingo, mas os resultados só deverão ser anunciados na próxima terça-feira.