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Cavaco critica governo grego mas ainda espera entendimento de 25ª hora

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Cavaco Silva manifesta-se preocupado sobre os efeitos da crise grega na Europa e em Portugal, embora refira que eles "podem ser contidos no conjunto da zona euro"

TIAGO PETINGA / LUSA

Presidente da República diz que "entrámos numa área de resultados imprevisíveis"

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Ainda antes do início de uma reunião do Eurogrupo, esta quinta-feira, que pode ser decisiva para os destinos da Grécia, o Presidente da República português ainda espera que na 25ª hora se alcance um entendimento entre este país e as instituições europeias.

"Isso seria bom para todos os países da União Europeia e não apenas só para Portugal", disse Cavaco Silva na manhã desta quinta-feira, numa conversa com os jornalistas, em Bucareste, alertando ao mesmo tempo para a possibilidade de tal não acontecer. "Entrámos numa área de resultados imprevisíveis", sublinhou.

Colocado perante a questão do alcance político de tal desenlace, o Presidente preferiu evocar as mensagens que lhe foram transmitidas nos encontros políticos com as autoridades nos dois países que visitou - para além da Roménia, também a Bulgária: "A situação na Grécia é muito pior do que antes do atual governo ter tomado posse” e que “a Europa não pode ceder a chantagens, venham elas de fora ou de dentro do seu espaço".

Cavaco Silva manifestou-se preocupado sobre os efeitos da crise grega na Europa e em Portugal, embora tenha referido que eles "podem ser contidos no conjunto da zona euro". Sobre Portugal, especificamente, afirmou que o país "tem reservas de recursos financeiros, que permitem aguentar o país no financiamento do Estado e da economia durante vários meses".

E acrescentou: "Mas a própria União Europeia criou mecanismos de apoio aos Estados em dificuldades, tem mecanismos de supervisão mais fortes do que no passado e o BCE manifesta-se mais aberto do que no passado a apoiar situações financeiras difíceis que alguns países possam atravessar".

Críticas à Grécia
O Presidente foi no entanto bastante crítico em relação à atuação do Governo grego, considerando que foram cometidos erros de natureza diplomática por parte das autoridades deste país, que atribuiu à sua falta de experiência. "Há um modo de negociar e uma linguagem própria", disse.

O chefe do Estado não deixou de salientar a diferença entre Portugal e a Grécia, considerando que o povo português a "percebe bem". E adiantou que "o governo grego foi aprendendo que a realidade é diferente dos sonhos e das promessas em campanha eleitoral, embora os ministros do Eurogrupo considerem que não se adaptou o suficiente para garantir a sustentabilidade da dívida pública".