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Promessa de Costa: ministros suspeitos de corrupção serão demitidos

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Tiago Miranda

Candidato do PS a primeiro-ministro afirma em entrevista ao “Público” que um membro do Governo sobre quem recaiam “dúvidas fundadas” de corrupção deve ser afastado

“Dúvidas fundadas”. Mais não será preciso para que António Costa, caso vença as próximas eleições legislativas e assuma a chefia do Governo, demita um ministro sob suspeita de corrupção. A promessa está publicada na entrevista que esta quarta-feira concede ao “Público”.

“Sempre que houver uma dúvida fundada por parte do Ministério Público relativamente à prática de qualquer ilícito por parte de um membro do Governo, isso implica necessariamente a cessação de funções por parte desse membro do Governo. Mas sublinho, dúvidas fundadas”, diz o líder dos socialistas.

Mas, afinal, o que entende por “dúvidas fundadas”, insistem os jornalistas do “Público”? E Costa passa a batata quente a quem estiver, quando tal acontecer, se acontecer, a liderar o Ministério Público: “Confio que o procurador-geral da República comunique no devido momento que entende que existem dúvidas fundadas que aconselham à cessação dessas funções.”

Sobre José Sócrates, o secretário-geral do PS mantém-se em silêncio. “Estabeleci como regra que não me pronunciarei sobre assuntos que estão sob alçada da Justiça”, responde à primeira pergunta colocada sobre o antigo primeiro-ministro.

E não valeu a pena a insistência dos jornalistas que quiseram saber se este caso prejudica o partido (segunda pergunta), sobre um possível aproveitamento político do caso (terceira), sobre o momento em que a acusação vier a ser feita (quarta) ou ainda sobre “um conjunto de coincidências como a detenção na altura da realização do Congresso do PS e o anúncio da decisão da pulseira eletrónica precisamente no momento em que o PS apresenta o programa eleitoral”.

E à quinta pergunta sobre o antigo líder do PS, detido preventivamente em Évora há mais de seis meses, é assim que António Costa responde: “Não me ouviram até agora pronunciar-me sobre isso e a única coisa que me ouviram dizer e continuarão a ouvir dizer, mesmo que repitam agora numa quinta forma diversa a mesma pergunta, é que não me pronunciarei sobre casos que estão sob a alçada da Justiça, designadamente este.”

Mas não é apenas sobre Sócrates que António Costa é parco em comentários. Quando o nome do candidato à Presidência da República, António Sampaio da Nóvoa, surge nas perguntas, o antigo presidente da Câmara de Lisboa poupa nas palavras.

Será o candidato apoiado pelo PS? Por que convidou Sampaio da Nóvoa para a Convenção e não Henrique Neto? Quiseram saber os jornalistas do “Público”.

À primeira pergunta, António Costa começa por lembrar que, “no passado”, o antigo reitor da Universidade de Lisboa assistiu à sessão de encerramento e que “quanto às Presidenciais, não há nada de novo a dizer para já. No momento próprio, o PS apreciará as candidaturas que existirem dentro da sua família política e decidirá se e quem apoia.” 

À segunda pergunta, sobre Henrique Neto, que tal como Nóvoa está na corrida a Belém, Costa limita-se a dizer: “Como todos os militantes do PS, são convidados por natureza”.