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Oposição insiste que a privatização da TAP é um erro

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Mariana Mortágua defende que a manutenção da TAP na esfera pública é apenas uma questão política: "Até aqui nenhuma dívida da companhia foi paga com dinheiro dos contribuintes", realça a deputada bloquista

A deputada do BE Mariana Mortágua acusou esta sexta-feira o Governo de recorrer ao argumento da Comissão Europeia para justificar a inevitabilidade da privatização da TAP, garantindo que a manutenção da companhia na esfera pública é apenas uma "questão política".

"A manutenção da TAP nas mãos públicas é só uma questão política. O passivo vem do leasing, não é pura dívida financeira como querem fazer parecer. A TAP paga a sua dívida com os seus cash-flows. Até aqui nada foi pago com o dinheiro dos contribuintes ", afirmou Mariana Mortágua no Parlamento.   

Segundo a deputada bloquista, a decisão do Governo é irresponsável, sendo que a médio e longo prazo os seus membros já não estarão no poder para assumir responsabilidades. "Sessenta e cinco dias úteis para analisar uma proposta desta complexidade? Seria caricato se não fosse perigoso do ponto de vista da atualidade nacional. O problema não está no valor, mas no facto de daqui a 10, 20 ou 30 anos não estarem cá para assumir responsabilidades", acrescentou.

O deputado Bruno Dias, do PCP, lamentou por sua vez que o Executivo esteja a entregar a privados uma "companhia de bandeira", que tem conseguido apesar de tudo baixar a sua dívida. "Falam em mil milhões de dívida da TAP, mas ela está a baixar mesmo com a  companhia na esfera pública", destacou.

Enumerando alguns negócios mal sucedidos de David Neelman, o deputado comunista acusou o empresário americano-brasileiro de ser "especializado em retalhar companhias áreas." "Quando verificamos que os senhores têm medo de debater as propostas do PCP isso tem que ver com a possibilidade da privatização ser travada e precisar de ser travada", sustentou. 

Bruno Dias confrontou ainda o secretário de Estado dos Transportes sobre a discrepância nos números avançados por membros do Governo relativamente ao valor da operação. "Os senhores estão a  desmentir Pires de Lima, que fala em 269 milhões e não 354 milhões de euros", observou. 

"É preciso muita coragem para trocar a TAP por uns míseros euros"
Já o deputado Luís Ferreira, d'Os Verdes, pegou nas palavras do primeiro-ministro, que defendeu na quinta-feira que foi preciso "coragem" para avançar com a privatização da TAP, para defender que foi mesmo preciso coragem para negligenciar o interesse público.

"É preciso de facto ter coragem para agir invocando o interesse público para beneficiar os privados. Não faltou coragem para ao longo do tempo o Governo criar terreno e mostrar a inevitabilidade da venda de uma empresa estratégica, além de constituir uma das maiores esxportadoras nacionais que representa a nossa soberania. Como diz o primeiro-ministro é preciso muita coragem, mas é para trocar esta empresa por uns míseros euros", conclui.

Na intervenção da secretária de Estado do Tesouro, Isabel Castelo Branco referiu que apesar da dívida da TAP ter descido, o capital também tem diminuído tornando a situação da companhia insustentável. "Com 500 milhões de capital negativo e mil milhões de euros de dívida é impossível sobreviver", assegurou a secretária de Estado, apontando para uma série de questões que agravaram as condições financeiras, nomeadamente a greve de pilotos, e o quadro mais competitivo de transportadoras aéreas concorrentes.