Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

PS e PCP criticam Cavaco por colar discurso à coligação

  • 333

Rui Duarte Silva

Ferro Rodrigues diz que Presidente passou "uma esponja sobre o passado recente" e António Filipe, "chocado", acusa-o de intervir na campanha eleitoral. Já sociais-democratas e centristas referem um discurso "realista" e de "confiança" no futuro

"Hoje parece que houve uma esponja sobre o passado recente e isso é muito mau sinal para um Presidente da República que vai ter que desempenhar um papel muito importante no período eleitoral e pós-eleitoral", reagiu esta quarta-feira o líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, ao último discurso de Cavaco Silva enquanto Presidente da República, nas comemorações do 10 de junho. 

Ainda que o Presidente tenha tentado passar uma mensagem de otimismo no Dia de Portugal, Ferro Rodrigues aponta o dedo a Cavaco pelo discurso "colado à narrativa da coligação de direita sobre a crise".  

A mesma crítica fez o deputado do PCP António Filipe, que foi ainda mais longe. "Mais parecia um discurso de um candidato as eleições legislativas pela coligação governamental do que propriamente um discurso do Presidente da República". Para o deputado comunista, as palavras de Cavaco são "de intervenção" na campanha eleitoral que se aproxima. "Fiquei particularmente chocado". 

António Filipe diz que a visão que Cavaco mostrou é a de "um país idílico", que passa ao lado da realidade da maioria dos portugueses. Neste sentido, também Ferro Rodrigues considerou "estranho" que o Presidente não tenha feito qualquer referência a esta "crise global" e às "políticas de empobrecimento", que noutros discursos não foram esquecidas.  

PSD e CDS falam em discurso adequado
Luís Montenegro referiu um discurso "realista" e voltado para o futuro, que "induz confiança na capacidade dos portugueses e bom senso nas escolhas que o país terá que fazer, para não desbaratar o que já foi alcançado". E não faz sentido dar carácter partidário às suas palavras, uma vez que o que esteve destacado no discurso foi demonstrar "que Portugal tem capacidade para ser competitivo", sublinha o líder parlamentar do PSD.  

Também o centrista Nuno Magalhães fala num discurso "adequado ao dia", "necessário para o crescimento económico" e "completamente coerente" com o que o Presidente tem dito. Os caminhos que indicou, como as exportações e a agricultura, "são muito importantes para o futuro".