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Cavaco lembra sucessivas reformas nas Forças Armadas. "A área do Estado que mais se transformou nos últimos 40 anos"

Rui Duarte Silva

Comandante Supremo das Forças Armadas discursou no Largo da Feira de Lamego na cerimónia militar que antecede a tradicional sessão solene das comemorações do Dia de Portugal. Demorou dez minutos.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

"Nos últimos 15 anos, o Orçamento da Defesa teve um decréscimo de cerca de 30 por cento e os efetivos diminuíram em cerca de 35 por cento", assinalou o Presidente da República na sessão militar desta manhã no âmbito das comemoraçãoes do 10 de junho que este ano tem a cidade de Lamego como anfitriã.

Perante 1500 militares dos três ramos das Forças Armadas, Cavaco Silva, que é também o Comandante Supremo das Forças Armadas, recordou as "sucessivas reformas" pelas quais atravessaram, em particular o fim do serviço militar obrigatório, a introdução do serviço militar feminino e o redimensionamento dos efetivos e do dispositivo territorial. Foi a "área do Estado que mais se transformou nos últimos 40 anos", sublinhou.

Quanto ao novo ciclo reformista em curso, Cavaco disse ter acompanhado de perto todo processo legislativo com vista a "salvaguardar" a saúde, o apoio social e a operacionalidade das Forças Armadas. E encontra "sinais positivos" para que "nos próximos anos" seja instalada a "unidade hospitalar de referência". Mas deixa um aviso: as estruturas militares "não se compadecem" com reformas sucessivas sem que as anteriores tenham sido concluídas e testadas. E aqui lança apelo a um "amplo consenso entre os agentes políticos" ou não fossem as Forças Armadas uma área de "importância vital" da nação.

Sendo os homens e as mulhres que servem a instituição militar "o seu mais valioso recurso",as reformas só tem sentido se contribuírem para "o reforço da sua motivação e para a melhoria da sua capacidade operacional", segundo o chefe de Estado.

Num discurso de dez minutos, num estilo mais enérgico do que o habitual, e que contou com alguns aplausos de populares, Cavaco falou de uma dívida de Portugal para com os seus combatentes, que "não pode ser esquecida" e ganha hoje um "maior significado" em Lamego, "onde a sua história se confunde com a dos soldados desde 1839". 

As Forças Armadas, "um dos pilares estruturantes e inalienáveis" do Estado, têm uma missão que vai além do combate na defesa de Portugal. Cavaco destacou três: "salvaguarda do território e dos recursos do país, criar condições de estabilidade indispensáveis ao desenvolvimento nacional, e o apoio à populações, rentabilizando capacidades e recursos humanos altamente especializados". 

Desde a década de 90, foram destacados 33500 militares em 23 países. Cavaco lembrou a "credibilidade e prestígio" de que gozam junto de aliados internacionais pela exemplar "conduta e profissionalismo" em condições de risco elevado, lamentando que o seu desempenho seja "muitas vezes" pouco valorizado pela opinião pública.