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Cavaco Silva. As quatro grandes tarefas para o futuro

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Rui Duarte Silva

Presidente da República deixa um recado aos vindouros na última intervenção nas cerimónias de 10 de Junho, em Lamego

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Foi o último discurso nas cerimónias do 10 de junho do Presidente Cavaco Silva. Apontou os objetivos a seguir para o futuro, lembrou a crise e as suas sequelas, mostrou-se otimista e elogiou o trabalho feito nos últimos anos, sem mencionar o Governo, que estava presente em peso. Mas não falou de consenso. A campanha eleitoral está já aí.

São quatro as orientações de política económica que o Presidente considerou essenciais para garantir a melhoria da situação do país: equilíbrio das contas do Estado e sustentabilidade da dívida; equilíbrio das contas externas e controlo do endividamento; competitividade da economia; e um nível de “carga fiscal “em linha com os concorrentes.

Isto, “para além da estabilidade política e da governabilidade do país”, referiu o Presidente. Só com todas estas condições reunidas, “será possível assegurar o crescimento económico e a criação de emprego”, considerou, sem mencionar uma única vez a palavra consenso.

Cavaco Silva sabe que, em tempo de pré-campanha, o tema não colhe entre os partidos. Por isso, nesta sua última intervenção no 10 de Junho, preferiu dar um recado aos vindouros. Se forem assegurados os objetivos que mencionou, disse, “estou certo de que poderemos olhar o nosso futuro coletivo com confiança, independentemente de quem governe”.

O elogio do trabalho feito

Confiança foi, aliás, um dos motes no qual insistiu o Presidente, que se mostrou otimista perante os atuais “sinais positivos”. Considerou-os ultrapassados os tempos de crise, apesar do “longo caminho que há ainda a percorrer”.

”Ultrapassámos a situação de quase bancarrota (…) e, nos últimos tempos, tem vindo a verificar-se uma recuperação gradual da nossa economia e da criação de emprego”.

O país está melhor agora, sublinhou Cavaco Silva, que elogiou o trabalho realizado pelo atual Governo.

Lá fora, adiantou, “somos elogiados pela correção dos graves desequilíbrios económicos e financeiros (…), pelas reformas levadas a cabo para a melhoria da competitividade das empresas, pelo caminho de crescimento económico e criação de emprego que temos vindo a trilhar, pelo cumprimento das regras de disciplina orçamental que aprovámos no âmbito da União Europeia”.

“As taxas de juro dos títulos da dívida pública desceram e Portugal é reconhecido como um destino competitivo para o investimento estrangeiro e os nossos recursos humanos são procurados e valorizados”, afirmou ainda, perante uma plateia onde se destacava o Primeiro-ministro, os membros do Governo e todas as altas figuras do Estado.

Mea culpa?

E foi neste contexto que Cavaco Silva fez um resumo do que aconteceu nos últimos anos, lembrando as diferenças relativamente a anteriores intervenções externas e justificando os avisos que fez na época.

Diferentemente do passado, a crise "surgiu num tempo em que as expectativas de bem-estar são muito mais elevadas do que há trinta ou quarenta anos”, pelo que “as legítimas ambições dos cidadãos tornaram-se mais vastas”.

Depois de uma década de reduzido crescimento económico, sublinhou ainda, "Portugal chegou a uma situação que qualifiquei como «explosiva». (…) Sem o apoio externo, o País teria entrado numa situação de rutura, com consequências sociais catastróficas” (…). Nem todos conseguiram ultrapassar as dificuldades”, afirmou, numa evocação implícita à situação na Grécia.

E acrescentou: “Na aplicação do programa de assistência, fomos obrigados a fazer grandes sacrifícios. A dado passo, foi necessário alertar para a existência de limites aos sacrifícios impostos” e “chegou a existir o risco de o País entrar numa espiral recessiva” a que “conseguimos pôr cobro”.

“Nesse tempo – justificou – “foi necessário dar voz aos que não tinham voz, aos desempregados, aos excluídos, aos reformados e pensionistas”, evocando as suas próprias intervenções críticas da época.

Mas para Cavaco Silva, hoje tudo isto é passado. O tempo, agora, é de otimismo e esperança. 

“Da mesma forma que nunca vendi ilusões ou promessas falsas aos Portugueses, digo claramente: não contem comigo para semear o desânimo e o pessimismo quanto ao futuro do nosso País. Deixo isso aos profissionais da descrença e aos profetas do miserabilismo”. Ficou o recado.