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Passos. "Já conseguiram descobrir uma frase minha em que convido os jovens a emigrar?"

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É a segunda vez em poucas horas que o primeiro-ministro elabora sobre o tema - que considera tratar-se de "um mito urbano"

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, reafirmou esta terça-feira (já o tinha feito na segunda, mas em modos distintos) que não convidou ninguém a emigrar, nomeadamente os jovens.

"Já conseguiram investigar desde segunda-feira uma frase minha em que eu tenha dito aos jovens portugueses que o que valia a pena era emigrar?", questionou o chefe do executivo esta terça-feira, em Castelo Branco.

Depois, questionado sobre declarações prestadas em 2011 ao Correio da Manhã ("Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma, ou consegue, nessa área, fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa encontrar aí uma alternativa"), quis esclarecê-las.

Passos Coelho argumentou que o que disse foi que infelizmente cada vez há menos crianças e as escolas portuguesas estão a ficar com menos alunos e se existem menos alunos, não se pode ter mais professores. "Aqueles que têm a vocação de ensinar, das duas uma: ou encontram uma alternativa no espaço da língua portuguesa ou então reconvertem-se e experimentam outras alternativas e outras experiências para poderem viver com dignidade. Mas isso não é convidar ninguém para a emigração."

"Mitos" de emigração e refundação

Na segunda-feira, Pedro Passos Coelho já tinha negado que incentivou os jovens portugueses a procurarem emprego no estrangeiro, classificando de "mito urbano" uma afirmação nesse sentido.

"Há uns quantos mitos urbanos, um deles é que eu incentivei os jovens a emigrar. Eu desafio qualquer um a recordar alguma intervenção ou escrito que eu tenha tido nesse sentido", disse Passos Coelho aos jornalistas em Coimbra, à margem das comemorações dos 75 anos do Portugal dos Pequenitos.

O primeiro-ministro frisou que o que disse "foi que não podíamos estigmatizar aqueles que não tendo cá oportunidades, procuravam outras economias para poderem encontrar emprego".

Esta terça-feira, o governante adiantou ainda que existem outros mitos a circular: "Podem procurar o mito de que eu tenha falado da refundação do Estado. Imensos jornais falaram da refundação do Estado, numa expressão que nunca utilizei. É outro dos mitos que se associa às minhas intervenções públicas, que eu defendi a refundação do Estado", disse em Castelo Branco. 

Pedro Passos Coelho fez questão de explicar que, neste caso concreto, apelou ao espírito refundador do memorando para se fazer a reforma do Estado.

Segundo o governante, por vezes surgem notícias com uma fonte que não é precisa e depois muitas gente repete essa fonte e ela passa a ser verdadeira quando não existe.

  • Mitos urbanos: o que Passos disse e o que diz que não disse

    "Há uns quantos mitos urbanos, um deles é que eu incentivei os jovens a emigrar. Eu desafio qualquer um a recordar alguma intervenção ou escrito que eu tenha tido nesse sentido", afirmou Passos Coelho esta segunda-feira. Comparamos 2015 com 2011 - o trabalho vídeo é da SIC