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Francisco Assis: "Não pode haver compromissos com quem há muito se excluiu deles"

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Francisco Assis, no XX Congresso do Partido Socialista

José Ventura

O eurodeputado socialista, que tem sido um acérrimo defensor de um Bloco Central, garante que não mudou de ideias: "Foi esta direita" que se excluiu do compromisso, justificou

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Francisco Assis jura que não mudou de ideias: "Tenho sido sempre defensor de compromissos na sociedade portuguesa. Não mudei de ideias, não precisei de mudar de ideias para estar convictamente aqui", disse hoje na Convenção Nacional do PS. O eurodeputado explicou: "O que não pode haver é compromissos com quem há muito se excluiu desses compromissos". E especificou: "Foi esta direita que se excluiu".

Em novembro, no congresso do PS, Assis saíra antes dos trabalhos terminarem, em protesto por a mesa - dirigida por Carlos César - ter relegado a sua intervenção para uma hora tardia. O líder da delegação dos socialistas portugueses no Parlamento Europeu, que se preparava para subir ao púlpito para defender a necessidade de um entendimento entre os dois maiores partidos como chave para o país, entendeu o gesto como censura, já que o seu discurso moderado destoaria do tom mais à esquerda que estava a dominar a reunião.

O afastamento em relação à direção de António Costa - que se iniciara durante as primárias, com Assis (que encabeçara a lista do PS às europeias) a apoiar António José Seguro - acabou por durar pouco. Durante estes seis meses, ao que o Expresso apurou, Assis e Costa falaram várias vezes e esclareceram o que agora o próprio Assis admite ter sido um mal-entendido. O "machado de guerra" foi definitivamente enterrado com a participação de Assis, hoje, na Convenção. 

Na sua intervenção, o eurodeputado não poupou elogios ao secretário-geral socialista que, segundo as suas palavras, deixou uma "excelente imagem" quando, há umas semanas, foi a Bruxelas e levou "um discurso sério, estudado e pensado". Qualidades que vê refletidas no programa de Governo que esta Convenção deverá aprovar: "O PS podia ter ficado à espera, o mais calado possível, do instante em que chegaria ao poder por cansaço de quem lá está. Não fizemos isso", regozijou-se.

Ainda que entenda que não é possível um acordo com "esta direita" - uma afinação do seu discurso que foi certamente a chave para que pudesse intervir hoje e ser aplaudido pelos presentes -, Assis não quis deixar de dar o recado para os seus camaradas mais à esquerda: "É preciso um discurso claro para os portugueses desiludidos que tendem a ir no canto da sereia das propostas delirantes da extrema-esquerda (...) não é com um discurso radical e extremista que vamos conseguir mudar o caminho da Europa".