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Um programa previsível e “sem espremer a imaginação”

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FOTO Tiago Miranda

Estão apresentadas as linhas gerais do programa da coligação. Previsível e “sem invenções”. Era mesmo assim que Passos o queria. “Precisamos de dar estabilidade agora”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

É repetitivo, é previsível, não tem uma ideia nova - está apresentado o programa eleitoral da coligação, nas suas linhas gerais, e era mesmo assim que Pedro Passos Coelho o queria. Previsibilidade, estabilidade e segurança são as palavras que a coligação quer puxar para o seu lado, por oposição às “invenções” de “quem quer sempre mudar tudo, acreditando quase na Providência para que tudo, mesmo o desconhecido, acabe por resultar em bem” - uma das várias referências indiretas de Passos Coelho ao PS, que nunca foi nomeado ao longo da sessão, embora tenha estado sempre presente em pano de fundo. 

Paulo Portas foi pelo mesmo caminho, sublinhando a importância da coligação “não fazer promessas, mas dar garantias”. Ao contrário dos “programas feitos com base num leilão de promessas, como se se tratasse de vender bacalhau a pataco”. Mais uma vez, o PS, não nomeado, mas omnipresente: “Dizem a cada um o que cada um se calhar quer ouvir, mas não cumprem o interesse nacional porque não explicam como tudo se financia e através de quem se paga a fatura”.

“Temos uma estratégia que o país conhece”

A estratégia, admite Passos, é continuar o que o Governo vinha fazendo. “Temos uma estratégia que o país conhece”, insistiu, embora ressalvando que ao longo deste mandato essa “estratégia” terá sido ofuscada pela atenção ao défice e à dívida. 

Agora é que é. “Hoje será possivel focar a atenção dos governantes e dos portugueses nos objetivos essenciais que temos de cumprir para o futuro”, que estão elencados em dois documentos, nomeadamente na “carta de garantias” apresentada esta quarta-feira. São os tais “pressupostos e compromissos de base, que não têm de surpreender ninguem. É mesmo assim”.

“Queremos que os próximos 4 anos não sejam de sobressalto, em que as pessoas não saibam o que vai acontecer com salários, pensões, rendimentos ou sua vida. Queremos que os próximos 4 anos sejam anos de segurança, estabilidade, previsibilidade”, assumiu Passos, lembrando que há dias foi acusado por Ferro Rodrigues de dizer sempre a mesma coisa.

“Precisamos de dar estabilidade agora”, respondeu Passos, prometendo continuar o que foi feito, não só nas finanças e na economia, mas também na Justiça, na Defesa e na Segurança.

Apesar de tudo, foi deixando pistas de novas políticas - que Passos não assume como novas, mas como tendo ficado em stand by por causa da troika. “Ir mais longe do que conseguimos até hoje nos apoios à demografia”, “pôr o Estado a funcionar melhor, com mais eficiência e de forma mais amiga das famílias e das empresas”, “acabar de vez com centralismo, que não é amigo do nosso desenvolvimento”. E juntou ainda “dois motes para a nossa economia: economia verde e economia azul. Mar e indústrias limpas”.

“É para fazer”, prometeu Passos. “Atingimos os resultados a que nos propusemos. Será assim também no futuro”, garantiu o líder do PSD.