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Política

Costa: a mudança não passa pelo Bloco Central

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Luís Barra

Se os portugueses "querem mudança, não quererão que o PS faça coligação com um partido que deseja a continuidade destas políticas", alerta o líder socialista em entrevista ao "Jornal de Notícias". A alternativa, diz, sem usar o adjetivo "absoluta", é um governo de maioria PS

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Nem uma mudança na liderança do PSD, caso Pedro Passos Coelho perdesse as legislativas e abandonasse a presidência do partido, levaria António Costa a mudar de ideias e a coligar-se com os sociais-democratas: "Olho à volta e a única coisa que vejo que a coligação de direita tem a dizer é a continuação da troika", afirma em entrevista ao "Jornal de Notícias". Por isso, o secretário-geral do PS pede maioria nas legislativas. Sem usar o adjetivo "absoluta".

Se o Presidente quer um Governo maioritário, como tem dado a entender, Costa só vê uma possibilidade: o PS ter maioria. "Outras soluções seriam penosas e contrárias à vontade dos cidadãos. Se querem mudança, não quererão que o PS faça coligação com um partido que deseja a continuidade destas políticas. A alternativa é a maioria. Há boas razões para os portugueses compreenderem que não devemos arrastar o país nem para uma situação de ingovernabilidade, nem de crise política artificial".

Chantagem sobre os portugueses? Costa recusa a leitura: "Quem colocou o problema foi o PR, impondo uma condição que não resulta da Constituição". 

Na entrevista, Costa adianta que o seu futuro Governo dará prioridade às áreas da modernização administrativa, do desenvolvimento regional e do mar, mas sem especificar se terão ministérios autónomos. Assegurado está o regresso do ministério da Cultura e a separação entre  Economia e Trabalho: "Num momento em que é prioritário o combate ao desemprego, seria incompreensível não haver um ministério do Trabalho", justifica.

Sobre as presidenciais, volta a afirmar que o PS se pronunciará no momento próprio. Adianta ter "enorme estima" por Sampaio da Nóvoa e admite ter estima também por Rui Rio. Mas, adianta, "se não me pronuncio sobre candidatos que o PS possa apoiar, menos ainda sobre candidatos que os outros possam apoiar". 

Confessa ainda não ter voltado a visitar, ou sequer a falar, com José Sócrates desde que o visitou no estabelecimento prisional de Évora, em dezembro.