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Duarte Marques. "Dias Loureiro não é exemplo" e "Pinto Monteiro protegeu Sócrates"

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Duarte Marques é deputado do PSD

Alberto Frias

O deputado social-democrata nega ser um "boy" do partido e descreve-se como "um combatente contra a corrupção". Elogia Passos Coelho como "líder da revolução tranquila" que se vive em Portugal, mas afasta-se do elogio do primeiro-ministro ao ex-administrador do BPN.

Demarcando-se do recente elogio público de Passos Coelho ao antigo ministro, o deputado social-democrata Duarte Marques diz que "Dias Loureiro não é exemplo para ninguém". Em entrevista ao jornal "i" desta segunda-feira, diz ainda não ter dúvidas sobre Sócrates ter sido protegido pelo ex-procurador-geral da República, Pinto Monteiro, e mostra-se convicto: "O PSD tem de se reformar por dentro".

Descrevendo-se como "um combatente contra a corrupção", alguém que não teve a vida facilitada e que está longe da imagem de "boy" do partido que representa na Assembleia, o antigo líder da Juventude Social-Democrata desmente que esta estrutura possa ser considerada um 'centro de emprego'. "Se alguém vai para a 'jota' à procura de emprego, está lixado", afirma.

A propósito do comentário festivo que publicou na sua página no Facebook quando José Sócrates foi detido - Duarte Marques escreveu "Aleluia! A malta de Mação não perdoa" -, o deputado reconhece agora ter cometido "um erro". "Fui genuíno, fui autêntico", afirma, mas "senti que estava a prejudicar pessoas que não tinham nada a ver com isso". Foi esta a razão que o levou a apagar o comentário, garante, uma vez que "ninguém me pediu para o fazer".

No que que não recua é nas críticas a Pinto Monteiro, que acusa de ter protegido o ex-primeiro-ministro. Duarte Marques recorda que fez no passado várias denúncias à Procuradoria-Geral da República, tendo mesmo chegado a reunir-se com Pinto Monteiro em 2011, a quem pediu "uma investigação ao Governo de José Sócrates", pelo que sobre a alegada proteção ao líder do Executivo socialista não hesita: "As evidências são claras".

Sobre as próximas legislativas defende, no entanto, que o PSD "não deve tirar proveito da situação" de Sócrates durante a campanha - "não é preciso o partido dizer nada" -, considerando a atual estratégia do PS de ser "quase igual aquilo que foram as políticas de Sócrates".

Duarte Marques fala ainda dos envolvidos no caso BPN, para admitir que são "uma vergonha para o PSD e um embaraço", embora sublinhe que "nenhum tinha na altura responsabilidades no partido", mas afasta-se da declaração de Passos Coelho sobre Dias Loureiro, ao frisar que o antigo ministro social-democrata "não é exemplo para ninguém".

Deixa, ainda assim, um elogio ao primeiro-ministro, "que não apoiei dentro do partido", mas que hoje reconhece como "o grande líder da revolução tranquila que este país está a fazer".