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A colheita de 64

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FOTO Marta Caires

Retrato de um dia via rápida acima, via rápida abaixo: Passos está na Madeira, praticou ironia política através da vinicultura e sairá com um pedido para aliviar os madeirenses

Marta Caires

Jornalista

A Madeira formaliza esta quarta-feira o pedido ao Ministério das Finanças para estender por sete anos os prazos da dívida pública regional. A decisão acontecerá um dia depois do fim da primeira visita oficial de Pedro Passos Coelho à Região. O Governo Regional acredita que terá um sim de Maria Luís Albuquerque antes do fim da actual legislatura. O que a acontecer confirma as boas intenções anunciadas esta segunda-feira de manhã na reunião de trabalho na Quinta Vigia, a residência oficial da presidência do Governo.  

Com sorrisos e cumprimentos, num ambiente cordial, a Quinta Vigia, em tempos reduto de Alberto João Jardim e dos ataques a Lisboa, foi palco de uma conferência de imprensa conjunta, com o Funchal em fundo e vários compromissos para o futuro: as passagens a 86 euros, mais 43 milhões nas transferências de Estado e até a possibilidade de renegociar os prazos dos empréstimos.  

O que era até agora tabu nas relações entre a Região e o Estado foi discutido e, no fim, Miguel Albuquerque ofereceu uma garrafa de Vinho Madeira de 1964, o ano de Passos Coelho. E ficou a saber-se que a colheita na Madeira foi melhor em 1964 do que para o Vinho do Porto - 1963 foi melhor no Douro e Passos Coelho lá disse que se algum dos seus principais adversários era de 1963, então não ia lá só com Vinho do Porto.  

E a visita continuou com a comitiva - que inclui o ministro da Economia, o ministro dos Assuntos Parlamentares e o secretário de Estado das Finanças - a correr pelas vias rápidas e túneis até ao Caniçal, onde fica a zona franca e o centro internacional de negócios. Novo encontro de trabalho, novos cumprimentos, já que foi Pedro Passos Coelho, depois de Jardim ter deixado a presidência do Governo, a anunciar a aprovação do IV regime do CEntro Internacional de Negócios.

HOMEM DE GOUVEIA / Lusa

Folgas e novidades

De novo na estrada e na via rápida, o primeiro-ministro esteve de passagem por uma empresa de congelados de peixe em Santa Cruz. Detalhe a fixar: também o esperava o presidente da Câmara de Santa Cruz, que é do JPP, partido da oposição. Nos tempos de Jardim, o mais certo era não ser convidado. Desta vez, não só esteve na visita como ainda almoçou com Passos Coelho. O gabinete de Miguel Albuquerque fez questão que assim fosse. E feita esta visita a comitiva voltou à via rápida.

Novamente Funchal, tempo de encontros institucionais com o representante da República e com o presidente de Assembleia Legislativa. À porta do Parlamento, uma manifestação dos sindicatos gritava palavras de ordem desde as seis e meia da tarde, como "está na hora de o primeiro-ministro ir embora". A manifestação foi convocada pela União dos Sindicatos, mas contou com o apoio dos grupos parlamentares do PCP e do BE. Os deputados da esquerda preferiram a rua ao encontro com Pedro Passos Coelho.  

No Parlamento regional, os deputados regionais foram convidados a brindar com um Madeira de honra antes do novo encontro de trabalho, mas com o presidente da Assembleia. O primeiro dia da visita fechou onde começou, com um jantar onde, da lista de convidados, consta, além do bispo do Funchal, deputados, o juiz da comarca, o líder do maior partido da oposição. Outra novidade nas relações institucionais na Madeira. A visita prossegue esta terça-feira na Madeira, mas pelas estradas regionais do Norte da ilha e depois no Porto Santo.  

Entre idas e vindas na via rápida, ao fim do primeiro dia da visita oficial de Pedro Passos, os madeirenses têm razões para acreditar em alguma folga já este ano e no próximo. As passagens aéreas vão ficar mais baratas e tudo indica que haverá poupança de 24 milhões de euros ao ano com o alargamento dos prazos de pagamento dos empréstimos.