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Prémio político, diz o Bloco. BdP assumiu responsabilidades que pertenciam ao Governo

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Mariana Mortágua do Bloco de Esquerda defende que a recondução de Carlos Costa é uma “recompensa política porque o Bando de Portugal assumiu as responsabilidades que pertenciam ao Governo” no processo do Banco Espírito Santo.

A deputada do BE Mariana Mortágua afirmou esta quinta-feira que a recondução do governador do Banco de Portugal (BdP) é um "prémio político" do primeiro-ministro para recompensar a assunção de responsabilidades no caso BES por parte de Carlos Costa.

"O que temos à nossa frente é o velho projeto de direita: um Presidente, uma maioria, um Governo e, agora também, um governador do Banco de Portugal", declarou a deputada bloquista, nos Passos Perdidos do parlamento.

Para Mortágua, a nomeação por mais cinco anos só é compreensível "como um prémio político que o primeiro-ministro dá, apesar das opiniões de CDS e PSD no âmbito da comissão de inquérito, sobre a condução de todo o processo do BES pelo BdP", "um prémio de recompensa política porque o BdP assumiu as responsabilidades que pertenciam ao Governo".

"(O BdP) Sabia dos prejuízos desde novembro de 2013, não avisou a Comissão de Mercado dos Valores Mobiliários, os clientes, deixou que se continuasse a vender dívida, permitiu que Ricardo Salgado continuasse à frente do BES, inviabilizou o seu próprio plano de recuperação do banco, falhou na sua tentativa de aplicar um plano de blindagem ao BES, não foi capaz de separar a parte financeira da não financeira, permitiu sucessivas violações", enumerou.

A deputada do BE lembrou ainda que os "custos [totais] ainda não estão estimados" no que toca à dissolução do universo empresarial Espírito Santo e processo de resolução do BES e que o "BdP foi incapaz e incompetente a lidar com os lesados pelo BES, que ainda hoje não têm uma resposta para o seu problema".

O Governo decidiu hoje enviar à Assembleia da República uma proposta de recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal, anunciou o ministro da Presidência, no final do Conselho de Ministros.

Nos termos da lei em vigor, a nomeação de Carlos Costa para um novo mandato de cinco anos tem de ser precedida de uma audição em comissão parlamentar.

Carlos Costa foi nomeado governador do Banco de Portugal em 2010, pelo anterior Governo do PS, e está em funções desde 7 junho desse ano.