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Passagens aéreas, transporte marítimo, novo hospital e negociações nos bastidores: Passos vai à Madeira

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José Coelho / Lusa

Em outubro, Jardim chegou a sair da Madeira para não se cruzar com Pedro Passos Coelho, que foi ao Funchal falar num jantar de empresários. Agora não será assim: Miguel Albuquerque sempre teve uma relação próxima com o chefe de Governo.

Marta Caires

Jornalista

Os transportes entre a Madeira e o continente e a eventual partilha de custos na construção do novo hospital central do Funchal são assuntos na agenda de Pedro Passos Coelho na primeira deslocação oficial ao arquipélago. A seis meses das eleições legislativas nacionais e com o resgate assinado até ao fim do ano, não será desta que se descortinará uma solução para a dívida pública madeirense. Por enquanto, fica tudo como está e as negociações, segundo o gabinete de Miguel Albuquerque, prosseguem nos bastidores.

A comitiva do primeiro-ministro, que inclui Pires de Lima, ministro da Economia, Marques Guedes, ministro da Presidência e Assuntos Parlamentares, e ainda o secretário de Estado das Finanças, Manuel Rodrigues, chega ao Funchal esta segunda-feira e a visita começa logo com uma reunião de trabalho na Quinta Vigia. As soluções para os transportes e para o hospital deverão ser apresentadas na conferência de imprensa conjunta. O executivo madeirense acredita que se poderá chegar a acordo em algumas matérias.

O limite máximo nas passagens aéreas para residentes e estudantes – semelhante ao que ficou estabelecido entre a República e os Açores – é um dos acordos mais importantes já que, neste momento, as passagens entre a Madeira e o continente ultrapassam, nos momentos de maior procura, os 400 euros. Miguel Albuquerque também quer apoios da República para reabrir a linha de transporte marítimo de passageiros e mercadorias entre a região e o continente. Também neste ponto é possível que se chegue a um entendimento.

À discussão será também posta a construção do novo hospital central do Funchal. O executivo madeirense quer que seja uma obra de interesse comum entre a região e a República, o que significará a partilha de custos na eventualidade de se avançar mesmo para a construção. As esperanças de fazer acordos terminam aqui, já que quanto ao resgate parece que não será desta. De qualquer forma, o secretário de Estado das Finanças faz parte da comitiva e é possível que continuem as tais negociações de bastidores.

De momento, sobre a dívida sabe-se apenas que o Governo Regional se prepara para fazer um empréstimo de 215 milhões de euros destinados às amortizações que começam a ser pagas em 2016. Na Madeira também há a ideia de que a seis meses das eleições não se podem fazer grandes conquistas. Não se sabe quem vai ganhar, nem sequer se o que for decidido agora não se desfaz com o resultado eleitoral. Miguel Albuquerque sabe que, seja quem for o Governo em Lisboa, terá que negociar e não se irá fechar como fez o antecessor.

Da visita constam, além da reunião de trabalho na segunda-feira, uma visita ao centro internacional de negócios e a várias empresas na Madeira. Na terça-feira, a comitiva segue para o Porto Santo, onde irá estar um dia. É do Porto Santo que Passos Coelho e os ministros regressam a Lisboa.

A Madeira elege seis deputados à Assembleia da República – neste momento quatro são do PSD, um do PP e outro do PS – que podem ser decisivos, sobretudo se se confirmar um cenário sem maioria absoluta. A visita oficial – a primeira que Passos Coelho faz à região – não será alheia a esse detalhe, como também não é à mudança na presidência do Governo. As relações entre o primeiro ministro e Alberto João Jardim foram sempre tensas. Em outubro, Jardim chegou a sair da Madeira para não se cruzar com Pedro Passos Coelho, que foi ao Funchal falar num jantar de empresários.

Miguel Albuquerque sempre teve uma relação próxima com Passos Coelho, mas também conhece António Costa dos tempos em que ambos eram presidentes de câmara -Albuquerque no Funchal, Costa em Lisboa. No entanto, o secretário-geral do PS também é próximo do candidato a líder dos socialistas madeirenses. Carlos Pereira é o único candidato das diretas de 29 de maio e foi apoiante de Costa nas primárias do partido em Setembro do ano passado.