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Ministra corrige, mas não alivia. ''Podemos ter situação verdadeiramente trágica'' nas pensões

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A ministra das Finanças corrigiu o tiro anterior no que toca aos cortes nas pensões, mas insiste que há ''um problema identificado'' de sustentabilidade das mesmas

RICARDO GRAÇA / LUSA

Maria Luís corrigiu o tiro - cortar pensões só com um ''amplo consenso com o PS'' -, mas não alivia o discurso. É preciso mexer na Constituição, diz. ''Se facilitarmos pode ser trágico.''

Maria Luís Albuquerque parece disposta a assumir o papel de pregadora das más notícias na campanha eleitoral que aí vem. Esta segunda-feira à noite, em Rio Maior, num encontro com militantes do PSD, a ministra deixou um aviso: ''Se cairmos na tentação de dizer que há facilidades e que se consegue recuperar muita coisa muito rapidamente, então poderemos ter uma situação verdadeiramente trágica''.

A ministra das Finanças corrigiu o tiro no que toca aos cortes nas pensões em pagamento que, no último sábado, admitira poderem ser necessários, garantindo agora que não há nenhuma proposta concreta e que tudo terá que ser feito ''num amplo consenso com o PS e na concertação social''. Mas insiste que há ''um problema identificado'', pelo Governo ''e pelo PS'', de sustentabilidade das pensões e é preciso resolvê-lo.

''É bom que a nossa Constituição possa ser atualizada'', defende a ministra, apostada em abrir caminho a uma discussão que por várias vezes já agendou para o arranque da próxima legislatura: como reformar a Segurança Social por forma a torná-la sustentável? Se isso apenas é possível no âmbito de uma reforma estrutural que não choque no Tribunal Constitucional, então mexa-se na Constituição.

Mota Soares, o ministro desta pasta, e o n.º 2 do PSD já tinham vindo apagar o fogo das declarações da ministra no sábado, garantindo que nada será feito em matéria de cortes nas pensões fora da concertação social e sem um consenso com o PS. 

E Maria Luís concordou mas sem deixar caír a questão de fundo: ''É preciso fazer alguma coisa'' e a solução pode passar por mexer na Constituição, que ''tem muitos detalhes e fica desfasada da evolução da sociedade''.

Sobre uma eventual saída da Grécia do euro, Maria Luís Albuquerque considera ''ser difícil, senão quase impossível'', saber que impacto isso pode ter em Portugal: ''E difícil saber como reagem os mercados'', afirmou.