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Os cinco compromissos de Sampaio da Nóvoa

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ESTELA SILVA / LUSA

Sampaio da Nóvoa voltou a citar um poeta (Eugénio de Andrade), insurgiu-se contra a banalização da indiferença e defende um Presidente interventivo.

Casa cheia no Rivoli, no Porto (mil pessoas que se estenderam pelo átrio) para testemunhar no fim de tarde de segunda-feira a apresentação dos compromissos do candidato Sampaio da Nóvoa com os portugueses.

Além da sua família, incluindo o pai, e ex-chefes militares, a presença especial de Ramalho Eanes no primeiro momento mais emblemático da candidatura desde que foi lançada há um mês, em Lisboa.

De gravata vermelha, Nóvoa esteve igual a si próprio. Fez uma intervenção de improviso em que citou (acerca da importância da palavra) o poeta Eugénio de Andrade e voltou a reafirmar a defesa do Estado social e uma visão de Europa  que não sufoque com austeridade países como Portugal.

Referendar medidas que afetem a soberania

Na sua carta de princípios constam cinco compromissos essenciais:

1) Promover uma nova visão geoestratégica de Portugal, defendendo a articulação entre a ligação à Europa e as relações com o mundo lusófono. No palco do Rivoli, Nóvoa surgiu ao lado de três bandeiras - a portuguesa, União Europeia e da CPLP.

2) Empenho na construção europeia, mas lutando por uma Europa que recupere valores da solidariedade e justiça social e não conduza  "ao nosso empobrecimento". Uma Europa que "abandone a política de austeridade" e "encontre uma solução para a dívida que sufoca" países como Portugal. Nóvoa quer promover um amplo debate sobre Europa e não aceitará, se for presidente, "mais medidas que retirem soberania a Portugal sem a realização de um referendo".

3) Definição de uma estratégia de valorização do conhecimento dos jovens e medidas que permitam injetar vitalidade na economia e e na criação de riqueza. O candidato indigna-se "com a emigração forçada dos jovens mais qualificados" e quer o Estado a promover investimentos de qualidade.

4) Luta pelo Estado social, contra a pobreza e as desigualdades, prometendo uma magistratura "de ética" para impedir que um Estado "tão zeloso com as obrigações externas" se mostre "pouco atento aos portugueses mais pobres".

5) Garantir o normal funcionamento das instituições democráticas, agindo com total independência face a forças políticas, sociais ou económicas.

Independência tem um preço

Na linha de Eugénio de Andrade, Sampaio da Nóvoa é uma homem de palavra e de palavras. "A honra da palavra dada é a minha maior riqueza", diria depois de reconhecer que "a independência tem um preço e estou disposto a pagá-lo". E confessaria a sua "inabilidade para o mundo do lucro e da usura".

Como pretende exercer o mandato, se for eleito? De forma interventiva, encarando de frente os problemas, sem fingir que não é com ele. Porque "a esperança não pode emigrar".

E porque se candidatou? O ex-reitor começa por citar a a mensagem de Mariana, estudante de 19 anos, que fala de um Portugal como um "país entristecido, sem esperança, nem futuro". É para mudar este estado de espírito, "combater a banalização da indiferença e abrir janelas de esperança" que Nóvoa avança. Este "é o tempo dos cidadãos, dos portugueses que não desistem nem se escondem" e encontram "causas mobilizadoras". Porque "há momentos na vida em que precisamos de dar tudo. Esse momento é agora".