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Marques Mendes sobre Costa: "Quando a esmola é grande, o pobre desconfia"

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FOTO Marcos Borga

O ex-líder dos sociais-democratas destaca pela positiva o chamado pacto de regime nas obras públicas proposto pelo PS, mas tem muitas dúvidas quanto ao conjunto das propostas. E deixa um alerta para a coligação: "Penso que tinha vantagem em acelerar em vez de reagir." 

Para Luís Marques Mendes, o programa eleitoral do PS revela três pontos positivos e três pontos negativos, segundo defendeu este sábado no seu habitual comentário no Jornal da Noite, na SIC. Pela positiva, o ex-líder do PSD considera o facto de o PS ter "reganhado nas últimas semanas a iniciativa política" e de ter deixado para trás algumas ideias radicais que na sua opinião só mostram que à medida que se aproxima do poder o "bom senso vem ao de cima".

No que diz respeito ao conteúdo programático, Marques Mendes considera que o chamado pacto de regime nas obras públicas proposto pelo PS é uma boa solução.

"Em matéria de grandes obras públicas, o facto de o PS querer que essas só possam ser feitas depois de haver o acordo de 2/3 no parlamento, ou seja entre o Governo e a oposição, é positivo", disse Marques Mendes, sublinhando que a própria oposição devia apoiar a proposta.

Pela negativa, o comentador defende a existência de alguma "confusão", uma vez que o PS já apresentou pelo menos três documentos com propostas: a agenda para a década, as propostas de economistas e o pré-programa. 

PS aos "ziguezagues"
"Quanto à Taxa Social Única (TSU) ainda não se percebeu muito bem. Há uma certa confusão. É uma coisa no domínio dos ziguezagues. Costa deu uma entrevista ao “Observador” em que diz que o Syriza tem um comportamento tonto, mas há três meses foi o mesmo Costa que veio elogiar quando o Syriza ganhou as eleições", realça Marques Mendes.

O ex-líder do PSD considera que não há ninguém que consiga sustentar a solução socialista de utilizar as verbas do Fundo de Estabilização para a reabilitação urbana, tendo também muitas dúvidas quanto ao total das propostas do partido. 

"Costa promete tudo neste programa: TSU, 35 horas, feriados e cultura. E há um ditado popular que diz ‘Quando a esmola é muita o pobre desconfia’", acrescenta.

Sobre a coligação PSD/CDS, Marques Mendes deixa um aviso: é melhor apressar-se. "Ao que sei até ao final da próxima semana apresenta as linhas programáticas e até à segunda semana de junho o programa. Eu acho que a coligação tinha vantagem em acelerar em vez de reagir, em vez de falar do passado, ganhar o futuro e ter iniciativa política”, sustentou.

Carlos Costa "é assunto arrumado"
Relativamente ao próximo Governador do Banco de Portugal, Marques Mendes é perentório:  "As notícias que surgem a público são verdadeiras, o convite foi feito e Carlos Costa aceitou. É assunto arrumado".

Afirmando que é uma decisão correta, até porque o primeiro-ministro disse sempre concordar com o governador,  Marques Mendes defende que a saída neste momento de Carlos Costa do BdP seria uma "tragédia".

Críticas de Isaltino não surpreendem
Instado a comentar as críticas que recaem sobre si no livro "A minha prisão", de Isaltino Morais, o ex-líder do PSD diz não ficar surpreendido, garantindo que não se arrepende de o ter tirado das listas há 10 anos. 

"Se voltasse atrás fazia a mesma coisa, não me arrependo. A política é para gente séria e credível, não tem a ver com a pessoa, é uma questão política. Se todos fizessem isso a política estava mais limpinha. Nessa altura, as pessoas não tinham tanta desconfiança, nem descrença."