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Maria Luís falada para o Eurogrupo

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MIGUEL A. LOPES/ LUSA

Passos não a dispensa 
até às eleições mas, depois, a própria não desdenharia lugar lá fora. Eurogrupo
 é difícil. Para já.

O nome de Maria Luís Albuquerque alimenta rumores em Bruxelas entre as hipóteses para, num futuro mais ou menos próximo, poder chegar à presidência do Eurogrupo. 

No imediato, as hipóteses da ministra das Finanças são diminutas — por razões de calendário e porque o seu homólogo espanhol, Luis de Guindos, terá o lugar praticamente negociado. Mas a enorme imprevisibilidade vivida na zona euro e a perceção de que um estouro da Grécia pode precipitar reformas institucionais na Europa, pode abrir novas chances. Confrontada com este cenário, fonte próxima de Maria Luís confirma que ela “não desdenharia” um cargo internacional. 

Conceituada nos meios europeus, a ministra das Finanças foi recentemente referida pelo correspondente do “Finantial Times” em Bruxelas, Peter Spiegel, como  um dos nomes possíveis para suceder ao seu colega holandês na presidência do Eurogrupo. E, em Lisboa, nos círculos mais próximos da ministra, sublinham que “quando a sugerem para líder do PSD, ela diz sempre que não se vê nisso. Para já, mais facilmente pensaria num cargo lá fora”.

Passos contra Europa em part-time
Depois de ter estado à beira de ocupar um lugar de comissária na equipa de Jean-Claude Juncker, Maria Luís sabe que terá de ficar no Governo até ao fim, mas estará atenta às oportunidades que poderão surgir fora de portas. 

Nas cúpulas da maioria, avisam que, “para já, há um Governo por terminar e umas eleições para ganhar”, deixando o sinal claro de que Pedro Passos Coelho conta com ela como peça-chave até às legislativas. Mas, paralelamente, no âmbito das reformas que tem vindo a defender para a zona euro, o primeiro-ministro sugere que o presidente do Eurogrupo deve deixar de ser um ministro e passar a estar no cargo em full-time. 

Ainda esta semana o disse nas Conferências do Estoril, onde insistiu na criação de um Fundo Monetário Europeu e em mudanças na governação da zona euro, atribuindo “maior permanência e até exclusividade ao presidente do Eurogrupo”. A acontecer, uma mudança deste tipo mexeria com o xadrez dos candidatos à sucessão de Dijsselbloem.

A manterem-se as regras, o cargo terá de ser ocupado por um titular das Finanças, condição que Maria Luís reunirá até outubro (mas sem que Passos a liberte) e que deixará de reunir em outubro (se Passos perder as eleições). Ou seja, no imediato, o puzzle para ela não encaixa. Mas, num futuro próximo, se a zona euro mexer, nunca se sabe. “Estão muitas variáveis em jogo”, sublinha fonte comunitária. 

Um lugar no FMI, como aconteceu com Vítor Gaspar, deverá estar fora de causa para a ministra. “São lugares para perfis mais académicos”, diz fonte próxima. Para já, em São Bento, querem vê-la em exclusivo na campanha eleitoral. O PSD conta com ela para as listas de deputados e Maria Luís dificilmente dirá que não.