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Política

Comissão Política do PS aprova por unanimidade projeto de programa eleitoral

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António Costa presidiu à reunião da Comissão Política Nacional do PS

ANDRÉ KOSTERS / LUSA

Apesar da unanimidade, ouviram-se vozes contra algumas medidas relacionadas com o mercado de trabalho e à descida da TSU.

A Comissão Política do PS aprovou na nnoite desta quarta-feira, por unanimidade, o projeto de programa eleitoral do partido, apesar de alguns dirigentes socialistas terem colocado reservas ao contrato único de trabalho e à descida da taxa social única (TSU).

O resultado da reunião, que durou cerca de três horas, foi anunciado pelo coordenador do programa eleitoral e diretor do Gabinete de Estudos do PS, João Tiago Silveira.

A presidente da Associação Portuguesa de Reformados (APRE), Maria do Rosário Gama, saiu mais cedo da reunião da Comissão Política do PS e não votou - isto, depois de ter avisado que poderá estar contra o programa quando ocorrer a votação final a 6 de junho.

João Tiago Silveira considera que o PS deu agora "um passo importante", salientando a abertura do seu partido neste processo de discussão política. "O PS já fez isso nas eleições primárias, com a participação de não militantes no ato eleitoral que escolheu o nosso candidato a primeiro-ministro, e agora abriu a preparação do programa eleitoral a todos os cidadãos portugueses, incluindo até pessoas de outros partidos que pretendam dar contributos", referiu.

Sobre a possibilidade de o programa eleitoral do PS poder ter votos contra quando for sujeito a votação final, a 6 de junho, João Tiago Silveira desdramatizou: "As votações são livres". "Qualquer divergência ou voto contrário é encarado com naturalidade", respondeu o antigo secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros.

Perante os jornalistas, o sindicalista José Abraão manifestou-se apreensivo com partes do programa eleitoral relacionadas com o mercado de trabalho e à descida da TSU. "Com o contrato único, a coberto da tentativa de reduzir a precariedade, pode estar a facilitar-se o despedimento. Isto colocaria toda a gente numa maior precariedade", alegou.

José Abraão diz esperar que, até à realização da Convenção Nacional do PS, a 6 de junho, "possam entrar propostas no sentido de avaliar melhor esse contrato único laboral, e o mesmo em relação à TSU". "Na TSU não estão claras as formas de financiamento da Segurança Social, o que poderá reduzir a prazo as pensões", adverte o dirigente sindical da UGT.

Confrontado com estas críticas, João Tiago Silveira diz que o debate serviu para "analisar todas as questões". "Essas [TSU e contrato único de trabalho] são questões desafiantes, das quais pode depender a oportunidade de o PS ter uma política diferente. O PS tem de saber exatamente como as pode concretizar. Mas uma coisa é certa: já está provado como que podemos ter uma política diferente face à do atual Governo", concluiu.