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Passos prefere continuar o caminho da previsibilidade

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Passos Coelho à chegada ao Parlamento para o debate desta tarde

Marcos Borga

No debate quinzenal desta quarta-feira de tarde, Ferro Rodrigues acusou o primeiro-ministro de ser "previsível" e de apelar ao "medo". Em resposta, o primeiro-ministro garantiu que o objetivo do Governo é a continuação e não o retrocesso do programa da troika.

Na abertura do debate quinzenal parlamentar desta quarta-feira, o primeiro-ministro fez um balanço positivo do primeiro ano depois da saída da troika, garantindo que o Governo que dirige quer continuar o caminho de crescimento.

"A maioria das medidas e metas foi cumprida. O nosso objetivo era permitir o fomento da competitividade económica do país, apostar no potencial humano e no emprego e estender ainda mais a racionalização do sector público", afirmou Passos Coelho. 

Na intervenção do PS, em resposta, o líder parlamentar Ferro Rodrigues acusou o Executivo de ser "previsível" e responsável pelo "livro negro dos recordes", enunciando uma série de números económicos e destacando, concretamente, os  128 mil portugueses que emigraram ou o nível de desemprego de 16,2% registado em 2013. 

"Começam a ser previsíveis as intervenções que o senhor primeiro-ministro faz neste Parlamento, em correlação com as últimas semanas da propaganda do Governo e da coligação CDS/PSD. Fez uma intervenção com um enorme pendor burocrático, mais parecendo um relatório de um conselho de administração", disse Ferro.

Segundo o deputado socialista, os objetivos definidos pelo Executivo para 2019 são em muitos casos inferiores aos que tinha proposto para a troika em 2015, como ao nível do emprego. "Ou seja, com a troika era mau, sem a troika é ainda pior", frisou.

Quando a palavra lhe foi devolvida por Assunção Esteves, Passos garantiu que a equipa governamental que dirige segue o caminho da previsibilidade para que o período pós-troika seja uma continuação e não um retrocesso do programa delineado pelo FMI, BCE e Comissão Europeia.

"Prefiro ser muito previsível do que voltar aos tempos da imprevisibilidade e da incerteza, para que o país se mantenha de forma autónoma e não seja obrigado a um novo programa de resgate", declarou Passos Coelho.

Negando que o Governo faça um apelo ao medo,o primeiro-ministro sustentou que o apelo é a confiança. "Não é um insulto ou desprezo pelos portugueses; ao contrário, é por saber que os portugueses sofreram muito que comemoramos a saída da troika ", insistiu. 

Defendendo que os números enunciados por Ferro Rodrigues parecem ser um "legado do PS", Passos não deixou de apontar o dedo ao programa eleitoral do PS apresentado ao início da tarde, sustentando que tem como mais consumo e rendimento disponível de forma artificial sem a compensação devida.

"Sim, não só é positivo continuar este caminho como é indispensável prosseguir com ele. Pelo que percebi hoje, o caminho do PS aponta como prioridade o que falhou como estratégia nos últimos 20 anos, nomedamente o Governo do PS."