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Política

PS “passam-se” 
para o PDR

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André Mateus, José Lagiosa, Marinho e Pinto e António Lourenço Marques. Os três ex-PS com o líder do PDR

FOTO D.R.

Na concelhia de Castelo Branco do partido de Marinho e Pinto, três dos quatros coordenadores são ex-militantes do PS

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

José Lagiosa, 58 anos,  fartou-se do PS. Esteve seis meses a amadurecer a decisão mas, em março, mudou-se, de armas e com toda a bagagem que uma militância partidária de 40 anos pode dar, para o novo Partido Democrático Republicano (PDR), de Marinho e Pinto.

Era um dos “operacionais” do PS em Castelo Branco — indispensável a qualquer dirigente com pretensão de ganhar eleições no distrito. Bateu com a porta porque, diz,  deixou de se sentir bem no partido, depois de ter apoiado António José Seguro nas primárias. Não que tenha alguma coisa contra António Costa (“de quem sou amigo”), mas discordou do processo que conduziu à sua eleição como secretário-geral e chegou à conclusão de que “fazer política neste PS é o mesmo que estar quieto; este PS não vai a lado nenhum”. É a mais suave das críticas que faz: “A máquina atual representa o passado, o pior do PS. A oportunidade de renovação do PS esfumou-se com a saída de Seguro. E o PS é hoje um partido muito viciado, como são todos”. Numa referência ao sucedido com Sócrates, ainda acrescenta: “Não posso pactuar com romarias a Évora; a justiça julgará, mas alguma coisa haverá para justificar a prisão preventiva”. 

Com ele saíram do PS outros dois militantes, André Mateus e António Lourenço Marques, que se lhe juntaram na coordenação do núcleo concelhio de Castelo Branco. Garante ter tido “muitas solicitações” de outros partidos, mas sempre acompanhou a carreira de Marinho e Pinto, que considera uma pessoal “frontal” e “pouco demagoga, contrariamente à imagem que tem”.

Está convencido de que o PDR, a nível nacional, pode “vir a revelar-se uma surpresa”. A nível distrital nem tanto: Castelo Branco só elege quatro deputados, “será muito complicado” ao PDR conseguir algum. Para já, assume, a luta é contra a abstenção.

A história de Lagiosa e dos seus outros dois ex-camaradas socialistas não é única. Sem querer individualizar, Marinho e Pinto garante que há gente vinda de todo o lado no PDR, “de professores catedráticos a empregadas da limpeza”, ex-militantes do PS, do PSD, do CDS e até da extrema-esquerda. “Gente descontente com a situação a que chegámos e que deixou de se rever nos outros partidos”, explica o fundador do PDR.

Marinho e Pinto quer ir 
a todos os círculos
Não sabe se vai conseguir, mas António Marinho e Pinto gostava que o seu partido, o PDR, se apresentasse a votos nas próximas eleições legislativas em todos os 22 círculos eleitorais. E se é verdade que “as eleições ainda nem foram marcadas”, reconhece que não há tempo  a perder se o recém-constituído PDR quiser ultrapassar os 2% de intenções de voto que as sondagens insistem em atribuir-lhe. 

O caminho que tem pela frente é longo e trabalhoso. Sem subvenção estatal (só atribuída aos partidos com assento parlamentar), ainda sem máquina partidária, o PDR já pediu um empréstimo à banca para poder fazer a campanha, que será sempre “modesta” e assente, acima de tudo, no contacto pessoal. “Este ano o direito às férias será confiscado pelo dever de ofício”, admite Marinho e Pinto.

Para já, a uma semana da primeira Assembleia Geral de Filiados (outro nome para congresso), que elegerá o presidente do partido e a Comissão Nacional, o fundador estima que já esteja criada cerca de meia centena de núcleos concelhios, do Algarve ao Minho. Mas só com a fixação definitiva do esqueleto do partido é que se poderá pensar em listas de candidatos, um processo que tem de estar concluído “rapidamente”. Como “rapidamente” espera que se ultrapasse o facto de o PDR ser conhecido como “o partido de Marinho e Pinto”: “Não sou adepto do culto da personalidade”