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António Costa. Governo é "pior que a troika"

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António Costa falava na sessão de encerramento de um debate sobre o Serviço Nacional de Saúde, promovido pelo PS em Coimbra

PAULO NOVAIS

O líder socialista disse ter ficado "intrigado" ao saber que PSD e CDS-PP vão fazer um jantar para festejar a saída da troika, visto que o Governo, segundo afirmou, quis ir além da troika e continuou a política da troika.

O secretário-geral do PS, António Costa, disse este sábado em Coimbra que os portugueses só festejarão a saída da troika de Portugal quando "este Governo se for embora", porque ele é "pior do que a troika".

António Costa comentava assim uma notícia que disse ter lido este sábado na comunicação social e na qual se referia que a "coligação de direita" ia "fazer uma jantarada para festejar a partida da troika".

O líder socialista disse ter ficado "intrigado" já que, acrescentou, a coligação PSD/CDS-PP quis ir, nas suas políticas, além da troika e continuou a política da troika depois de terminado o programa de assistência financeira a Portugal (no início de maio do ano passado).

António Costa falava na sessão de encerramento de um debate sobre o Serviço Nacional de Saúde, promovido pelo PS em Coimbra, no âmbito da definição de políticas para a criação de uma alternativa que o partido pretende ser nas próximas eleições legislativas.

"Gastar menos não é gastar melhor, não haver camas nos hospitais não é poupar dinheiro, é ter falta de respeito pelos utentes dos hospitais", sustentou António Costa.

"Não contratar os enfermeiros que são necessários, não é resolver um problema, é adiar a satisfação de uma necessidade, que, depois, tem de ser satisfeita sem menos custos, mas com um enorme custo para a qualidade do serviço prestado aos doentes nos hospitais", afirmou, defendendo ainda que "aumentar as taxas moderadores" representa "fazer os utentes do SNS pagar duas vezes (nos impostos e nas taxas) serviços a que têm direito".

O líder dos socialistas também criticou a centralização de "cuidados de saúde nos grandes hospitais", pois ela não significa "racionalizar o SNS", mas promover "momentos de rotura nas urgências", como aconteceu na "crise de dezembro [provocada por um surto de gripe]".

"Desinvestir nas unidades de saúde familiar (USF) é concentrar nos hospitais centrais uma pressão" que, depois, estes estabelecimentos "têm dificuldade em poder gerir".

O PS tem vindo a discutir o seu programa de governo, que é "um trabalho da maior importância" para "definir prioridades", que não seria necessário se os recursos não fossem limitados, sustentou António Costa, explicando por que não apresentou ainda o seu programa de governo. "Dá trabalho, mas vale a pena", sublinhou.

"Os portugueses não suportam mais que voltemos a eleger alguém que não seja merecedor de confiança" e "ainda não esqueceram, não esquecem, não esquecerão, nem perdoam ao atual primeiro-ministro ter prometido na campanha eleitoral baixar os impostos, que depois subiu, e não cortar os salários e pensões, que depois cortou", sustentou o secretário-geral do PS.

"Há uma garantia que daremos aos portugueses: o próximo primeiro-ministro - eu - não fará o que fez o atual primeiro-ministro na última campanha eleitoral", concluiu.