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Centeno convidado para conferência da Presidência

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André Kosters / Lusa

O funcionário do Banco
 de Portugal é um economista prestigiado em Belém, 
que já esteve presente em outras iniciativas da Presidência.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Mário Centeno, o coordenador do programa macroeconómico do PS, vai ser mesmo orador convidado na Conferência Internacional sobre os Jovens, organizada pela Presidência no próximo fim de semana, no âmbito dos Roteiros do Futuro. E já tinha sido convidado para esta iniciativa, anunciada ainda no final do ano passado, muito antes de vir a público o citado programa.

O Expresso sabe que o economista e funcionário do Banco de Portugal é muito respeitado em Belém pela sua competência, tendo aliás participado em outras iniciativas da Presidência. Foi, por exemplo, um do participantes da conferência de 30 economistas de várias áreas ideológicas e políticas, que o Presidente reuniu em julho de 2013 no palácio presidencial, para discutir as alternativas económicas que se colocavam ao país, numa altura em que em plena troika o debate estava muito extremado.

Sobre o cenário macroeconómico que foi elaborado sob a sua batuta, já se sabe, não há comentários em Belém sobre se ele é viável ou não, irrealista ou com uma mais ou menos razoável injeção de otimismo. Mas, como o Expresso já adiantou, o cenário é valorizado como um elemento positivo para o debate eleitoral, correspondendo àquilo a que o Presidente também já apelou publicamente: que os partidos apresentem com clareza e antecedência as suas propostas de ação política, de molde a que o eleitorado as possa conhecer, discutir e votar em consonância.

O PS, pelo menos, pôs as cartas na mesa, mesmo que as propostas do cenário macroeconómico não venham a ser assumidas pelo programa que o partido vier a apresentar. A ideia que prevalece é que ainda há coisas por esclarecer, mas é um começo. A sua apresentação funcionou não só como uma apresentação de ideias como um teste à viabilidade dos pontos de consenso... ou dissenso.

É aparentemente com esta perspetiva que o Presidente encara a campanha eleitoral que se aproxima. E até os frequentes ataques que António Costa lhe faz são enquadrados nesse ambiente e vistos mais como uma maneira de o líder socialista tentar corresponder a determinados sectores do partido. Ao que o Expresso apurou, as relações institucionais mantêm-se boas, o que corresponde também ao perfil do líder socialista.

Cavaco Silva, por outro lado, não pretende manter-se ausente até às eleições e tenciona seguir com os seus roteiros económicos pelo país. Cavaco acredita que, neste aspeto, o fator psicológico tem muita importância e por isso entende que deve continuar a puxar pelos sinais de crescimento que vão despontando, apesar de os números do desemprego terem subido e de os níveis de investimento não cresceram.