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Passos quer que Europa ajude a pagar subsídios de desemprego

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FOTO MÁRIO CRUZ / LUSA

Primeiro-ministro deixa ainda um aviso: se não houver uma reforma profunda da zona euro, vão aumentar as divisões e os conflitos entre os Estados-membros.

Pedro Passos Coelho defendeu esta sexta-feira em Itália a necessidade de criar na zona euro um mecanismo económico que funcione como um seguro para ajudar os países afetados pela crise, financiando parcialmente o subsídio de desemprego. 

No discurso que encerrou o debate sobre o Estado da União, promovido em Florença pelo Instituto Universitário Europeu, frisou que "os riscos de desintegração económica e financeira, rutura social e fragmentação política na Europa são reais", o que torna urgente a necessidade de reformas profundas na arquitetura da zona euro. 

Para o primeiro-ministro, deve ser criado um Fundo Monetário Europeu (FME) com recursos próprios, que não dependa das transferências nacionais dos Estados-membros e que tenha "capacidade financeira suficiente para financiar reformas estruturais nacionais e projetos de investimento focados na modernização de infraestruturas". 

A criação do FME, adiantou Passos, permitiria amenizar os efeitos da crise, limitando a necessidade de recorrer à assistência financeira e ajudando a reduzir os custos do ajustamento nos países mais afetados. "O exemplo mais óbvio seria uma comparticipação europeia dos subsídios nacionais de desemprego", afirmou. 

Segundo o primeiro-ministro, o presidente do Eurogrupo, um cargo atualmente ocupado de forma rotativa pelo ministro das Finanças de um dos estados da zona euro, deve passar a ser permanente, cabendo ao Conselho Europeu fazer a nomeação. Neste novo modelo, o presidente do Eurogrupo ficaria responsável pelo FME. 

Passos Coelho defendeu ainda a urgência de avançar para uma união bancária, com um mecanismo comum de garantia de depósitos. "Um sistema bancário verdadeiramente integrado a nível europeu é a única forma de aumentar a confiança no euro." 

O primeiro-ministro revelou que vai enviar estas propostas aos presidentes da Comissão Europeia, Conselho Europeu e Banco Central Europeu, para que possam ser discutidas já no próximo mês. "Uma reforma de longo prazo da zona euro é crucial", vincou. E deixou um aviso: "Se falharmos, assistiremos a um aumento das divisões e dos conflitos".