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Funcionária do Fisco diz ter acedido a dados de Passos Coelho a pedido do próprio

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Segundo a funcionária das Finanças da Amadora, o objetivo de Passos Coelho seria o de "perceber uma questão relacionada com a sua declaração de IRS"

ANDRÉ KOSTERS/Lusa

Uma das funcionárias das Finanças que consultaram informação fiscal do primeiro-ministro justificou à Autoridade Tributária que o fez por solicitação de Passos Coelho, de quem diz ser amiga.

Uma funcionária do Serviço de Finanças Amadora 2 que acedeu aos dados fiscais do primeiro-ministro, em novembro do ano passado, assumiu, numa auditoria da Autoridade Tributária (AT), tê-lo feito... a pedido do próprio Passos Coelho. 

Segundo revela esta sexta-feira o "Diário Económico", que publica a ata de uma audiência da funcionária em causa, Maria Ivone Torrão declarou em novembro que "a consulta efetuada resultou de solicitação do próprio através de contacto telefónico particular". 

O objetivo de Passos Coelho seria o de "perceber uma questão relacionada com a sua declaração de IRS". "O facto de ter sido prestado o referido apoio, via telefone, somente ocorreu porque o contribuinte Pedro Passos Coelho é uma pessoa das minhas relações pessoais e de amizade", explicou a funcionária do Fisco na audiência que decorreu a 13 de novembro de 2014. 

De acordo com o "Diário Económico", o gabinete de Passos Coelho reagiu a esta informação referindo que "o primeiro-ministro não procurou obter qualquer tratamento de favor por parte da Autoridade Tributária e Aduaneira, nem solicitou informação privilegiada ou sigilosa acerca da sua situação fiscal a qualquer funcionário daquela instituição". 

O gabinete do primeiro-ministro acrescentou ao matutino que "quando foi chamado a regularizar aspectos da sua vida contributiva, o primeiro-ministro fê-lo no estrito cumprimento da lei, sem qualquer subterfúgio, comportamento dilatório ou tratamento de favor". 

No âmbito da consulta de dados fiscais do primeiro-ministro, a AT lançou uma investigação na qual foram abertos até fevereiro 27 processos de averiguação a funcionários que terão consultado informação sobre Pedro Passos Coelho.