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Besmayah. Conheça a base iraquiana para onde seguiram 30 militares portugueses

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Imagem da base de Besmayah divulgada pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas espanholas em 15 de abril

Numa zona semidesértica próxima de Bagdade, os espanhóis estão a construir uma base que também serve de abrigo aos 30 militares do Exército que seguiram esta semana para o Iraque. 

Carlos Abreu

Jornalista

Pó e calor. Muito. Mesmo muito. Foi isto que os 30 militares do Exército que seguiram esta quinta-feira para Bagdade tinham à sua espera. A base onde ajudarão a formar, durante um ano, os operacionais iraquianos que hão de combater o autodenominado Estado Islâmico (Daesh), fica situada numa zona semidesértica, junto à localidade de Besmayah, a sueste da capital, Bagdade. Temperatura máxima prevista para esta sexta-feira: 40 graus Celsius. E não há sombras para ninguém.

Para além do pó e do calor, os portugueses também tinham à sua espera os militares espanhóis. Desde finais de janeiro que por aqui estão a construir, numa área equivalente a 4,5 campos de futebol, as instalações com capacidade para acolher, em segurança e com o conforto possível, 450 homens e mulheres.

Em bom rigor, a base espanhola fica no interior de um vasto centro de instrução militar, concebido pelos militares norte-americanos durante a Guerra do Iraque (2003-2011). Nas proximidades situa-se o quartel que abriga os instruendos iraquianos. Os americanos também estão de volta e a sua base, Fob Hammer, não fica longe.

A primeira unidade iraquiana, a Brigada 75 do Exército, concluiu as seis semanas de instrução, ministrada por americanos e espanhóis, a 5 de março. Nove dias depois, a 14, um sábado, entraram em cena, durante sete semanas, 1200 homens da Brigada 92. Até ao verão, os 208 legionários do Exército espanhol em Besmayah, apoiados pelos 30 portugueses, deverão instruir 5000 soldados iraquianos, revela o site “The Diplomat in Spain”, fazendo eco dos planos do Ministério da Defesa em Madrid.

Para chegar até à base espanhola, informa o Estado-Maior-General das Forças Armadas do país vizinho, “é preciso transpor um grande número de postos de controlo que pretendem dissuadir, detetar e dificultar, na medida do possível, a infiltração e o avanço até estas zonas de qualquer elemento hostil”.

Na quarta-feira, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas reconheceu que os portugueses estariam em risco. “É naturalmente uma missão arriscada, como muitas outras, mas em função disso é que vão militares e não vão outros cidadãos, que não usam uniforme”, disse à Lusa, em Luanda, o general Pina Monteiro. "O risco está acautelado, o risco está ponderado e vão trabalhar em condições que à partida permitem cumprir a sua missão", concluiu. Mas voltemos a Besmayah.

Betão e mais betão, à prova de morteiros e granadas

Durante os primeiros dois meses de construção, os aspetos relativos à segurança ocuparam cerca de 85% do tempo de trabalho dos cerca de 70 militares do Regimento de Engenharia n.º 11, de Salamanca. O perímetro começou a ser delimitado com os conhecidos “T walls” – blocos de betão em forma de “T” que colocados na vertical medem quatro metros de altura. Para vigiar e prevenir eventuais ataques do exterior foram erigidas, em betão, claro, várias torres de vigia.

No interior do recinto, também foram utilizadas “T walls” para proteger diferentes zonas, aumentado a segurança dos edifícios, tendas de campanha ou equipamentos aí instalados. Por toda a base, foram ainda construídos diversos abrigos, também em betão, à prova de morteiros e granadas, informa o Estado-Maior-General espanhol.

Em meados de abril, o tenente-coronel César de Cea, comandante da Unidade de Apoio ao Destacamento e principal responsável pelos militares do Regimento de Engenharia n.º 11, esclarecia que apesar das dificuldades sentidas para encontrar alguns materiais de construção 45% o projeto estava feito e que para concluí-lo precisaria de mais três meses. Tempo para pôr de pé as zonas de abastecimento, manutenção, alimentação e uma área de recreio com um ginásio, um ponto de acesso à internet, uma loja, uma biblioteca e uma cafetaria.

Produzir energia elétrica para alimentar e climatizar as diversas instalações e água potável para beber e cozinhar eram, nessa altura, as maiores preocupações do tenente-coronel César de Cea. Oito potentes geradores deveriam produzir a energia necessária para alimentar os aparelhos de ar condicionado e uma unidade purificadora de água garantiria a segurança do precioso líquido.

Num vídeo divulgado no YouTube há cerca de um mês, onde é possível ver os norte-americanos e espanhóis a treinarem os homens da Brigada 92, os militares iraquianos entoam, a certa altura, um cântico do Real Madrid. Sendo pública e notória a capacidade de bom relacionamento dos militares portugueses além-fronteiras, é bem provável que os nossos militares ponham também os seus instruendos a cantar: "SLB, SLB... glorioso SLB."