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Passos Coelho. "Os socialistas dizem o que não vão fazer. E dizem isto sem se rir"

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FOTO JOSÉ CARLOS CARVALHO

Marcelo, Santana e Durão foram. Rio, não. Passos falou 73 minutos. Desancou as propostas do PS - ''Não vão respeitar as regras da UE'' - e elogiou o Cavaco "exemplar". O SMS de Costa ao Expresso não sai de cena.

Ângela Silva

Sentado na primeira fila, Durão Barroso, acabadinho de sair de presidente da Comissão Europeia (ou seja, da troika), riu com gosto a ouvir Passos Coelho desancar as propostas económicas do Partido Socialista. "Quanto é que custa? Não custa nada. É neutro (...). Eles dizem o que não vão fazer, porque não é possível fazer (...). E dizem isto sem se rir". Nos 40 anos do PSD, a plateia, cheia como um ovo, da Reitoria da Universidade de Lisboa, irrompeu em palmas. 

Num discurso de 73 minutos, em que agradeceu ao partido, elogiou Durão Barroso e Assunção Esteves, considerou o mandato de Cavaco Silva ''exemplar'' e puxou pelos galões do seu Governo - ''fomos nós que nos salvámos (ao país)'' - Passos fez do PS o alvo e abriu o jogo sobre o que dirá em campanha.Que o PS não vai respeitar as regras da União Europeia.

"Mais uma vez passaremos pela campanha de 2009 (aquela em que Sócrates prometia mundos e fundos e Ferreira travava as obras públicas)", afirmou. "O PS prepara-se para fazer o que sempre fez, dar dinheiro às pessoas para ver se a economia cresce. Mas nós sabemos no que isso dá. Quem é que acredita? Eu não acredito". A sala adorou.

Sem nunca falar de António Costa, Passos deixou ainda indiretas ao SMS que o líder socialista enviou ao diretor-adjunto do Expresso, criticando-lhe um artigo de opinião. "Connosco, ninguém veio dizer que queremos pôr a comunicação social na ordem", atirou. O tema da liberdade de expressão veio para ficar. 

Mas é a economia e as promessas socialistas de reporem rapidamente salários e pensões e cortarem impostos que vão ser a ''menina dos olhos'' do discurso eleitoral de Passos. ''Eles dizem que querem remover a austeridade em alta velocidade e ao mesmo tempo querem cumprir as regras do tratado orçamental. E dizem isto sem se rir ...!''. A gargalhada foi geral.

Passos também tenta dar boas notícias: ''Estamos em bom andamento para em 2019 puder ter um excedente orçamental''. O primeiro-ministro diz que ''estamos a libertar-nos da ditadura dos números, no grande império da política''. Mas os números inundam-lhe a retórica. O confronto com Costa vai passar, sobretudo, por aí. 

Sentado ao lado de Santana Lopes e Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa ouviu Passos Coelho relevar a importância do cargo de Presidente da República, que disse ''poder ser decisivo quando projetamos o futuro''. Marcelo escutou com atenção mas terá ficado na mesma sobre o que quer Passos das presidenciais. 

Rui Rio, como Marcelo candidato a candidato, escolheu não ir à festa.