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Leiam os seus lábios: Costa vai descer o IRS

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FOTO MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Está feita a promessa que qualquer eleitor quer ouvir. Em entrevista à TVI, esta quarta-feira à noite, o líder do PS garantiu que vai aliviar a carga fiscal sobre os trabalhadores portugueses se for eleito primeiro-ministro.

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Falta exatamente um mês para a apresentação do programa eleitoral do PS, mas António Costa já antecipou: o documento irá propor uma alteração dos escalões do IRS, de forma a aumentar a progressividade do imposto e, com isso, "diminuir seguramente o encargo fiscal sobre o trabalho", afirmou esta noite, em entrevista na TVI. Está, pois, feita a promessa. Com a garantia, que o secretário-geral do PS fez questão de enfatizar, desta vez rimando: "Nenhum compromisso iremos assumir que não estejamos em condições de cumprir". 

 Na entrevista, muito focada sobre o cenário macroeconómico apresentado há duas semanas pelos economistas, Costa sublinhou que o documento não propõe apenas diminuição de impostos, também prevê a criação de um novo imposto sobre as grandes heranças e de uma taxa sobre o recurso excessivo a contratos precários de trabalho. Assegurou que, uma vez aplicado, o conjunto de medidas propostas pelo grupo de 12 liderado por Mário Centeno vai resultar num maior crescimento económico, numa diminuição do desemprego, num défice compatível com os compromissos internacionais. "Temos de virar a página da austeridade", justificou. 

Questionado sobre a TAP, o líder socialista lamentou que o Governo não tenha esgotado junto da Comissão europeia a possibilidade de capitalização pública da empresa (nomeadamente através de dispersão em Bolsa). Acusando o Executivo de "irresponsabilidade total" na condução do processo e dizendo esperar que nenhuma decisão "irreversível" seja tomada até final da legislatura, assegurou que não permitirá que a TAP tenha mais de 51% do capital privatizado. 

Sampaio da Nóvoa e Sócrates


Sobre as presidenciais, e questionado especificamente sobre Sampaio da Nóvoa, António Costa não quis assumir qualquer compromisso. Embora referindo-se de forma positiva ao ex-reitor da Universidade de Lisboa, por quem diz ter "pessoalmente, uma grande estima", limitou-se a dizer: "No momento próprio o PS pronunciar-se-á sobre candidatos presidenciais". Frisou, porém, que o dossiê não está fechado: "Não lhe posso dizer se haverá ou não outros candidatos, inclusivamente de dentro do próprio PS". Para já, repetiu: "O PS está concentrado nas legislativas". 

Na última pergunta, sobre o processo judicial que envolve José Sócrates, o secretário-geral do PS manteve anteriores declarações suas sobre o tema: "É um assunto que diz respeito à justiça". Dizendo confiar "integralmente" no funcionamento do sistema de justiça, reiterou: "A justiça apurará a verdade que tiver de apurar" e "ninguém está acima da lei". Para deixar a garantia: "Não seremos nós a condicionar de forma alguma o processo, nem a deixar que o processo nos condicione".

  • Costa considera polémica do SMS “um não-assunto”

    No debate quinzenal, na interpelação ao primeiro-ministro, o PSD falou do SMS enviado por António Costa a um diretor-adjunto do Expresso. O líder do PS disse depois que Montenegro e o PSD deviam estar mais preocupados com os verdadeiros assuntos como o desemprego. “É um não-assunto”, disse.