Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

F-16 portugueses prontos para voar na Roménia

  • 333

Nuno Botelho

Quatro caças portugueses vão operar a partir desta quarta-feira numa base no norte da Roménia, numa lógica de “interoperacionalidade” com as Forças Armadas do país que comprou 12 F-16 a Portugal.

Carlos Abreu

Jornalista

Os quatro caças F-16 da Força Aérea Portuguesa que integram a força nacional destacada para a Roménia durante os próximos dois meses estão aptos a operar a partir desta quarta-feira, no âmbito da Aliança Atlântica. Sob o comando do tenente-coronel piloto-aviador Francisco Dionísio estão 87 militares, todos na Base Aérea n.º 71, em Câmpia Turzii, Cluj, 430 quilómetros a norte da capital, Bucareste.

Fonte militar disse ao Expresso que não se trata apenas de uma missão de policiamento aéreo, semelhante às que os F-16 portugueses cumpriram na Lituânia (e para onde estava previsto que voltassem no segundo semestre deste ano), “até porque os romenos têm essa capacidade”, disse, mas de interoperacionalidade com as Forças Armadas da Roménia. Portugal vendeu 12 caças F-16 à Roménia, um negócio que deverá render ao Estado português 78 milhões de euros e que implica a modernização dos aparelhos e a formação de técnicos e pilotos, que já decorre há vários meses na Base Aérea n.º 5 em Monte Real, Leiria. 

A 21 de abril, o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas justificou a opção pela Roménia com a impossibilidade de estar presente na Lituânia no segundo semestre de 2015. "Seríamos a nação líder [da operação de patrulhamento aéreo] na Roménia, porque a janela de emprego na Lituânia seria apenas no segundo semestre, o que iria colidir com a nossa disponibilidade para o exercício que vai existir em Portugal no âmbito da NATO - e também, mais importante, porque isto iria potenciar a nossa relação com a Roménia no quadro do processo de alienação dos F-16", disse o general Pina Monteiro aos deputados da Comissão de Defesa.

“O estacionamento e a base operacional na Roménia, de quatro aeronaves F-16, durante dois meses, no âmbito das medidas de tranquilização da OTAN”, após a intervenção russa na Ucrânia, recebeu parecer favorável do Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN), na reunião extraordinária realizada a 23 de abril.

A divulgação precoce do destacamento português por parte das autoridades romenas terá provocado um enorme mal-estar entre Belém e São Bento. Anunciada pelos media em Bucareste a 3 de março, foi confirmada em Lisboa pela agência Lusa junto de fonte oficial do Ministério da Defesa no dia seguinte. Cavaco Silva acabou por tomar conhecimento do destacamento pela imprensa sem que o CSDN, órgão consultivo do Presidente da República para os temas da Defesa, se tivesse pronunciado sobre o assunto.