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Costa considera polémica do SMS “um não-assunto”

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O secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa discursa durante uma sessão com militantes e simpatizantes do Algarve, na Escola de Hotelaria e Turismo de Faro.

Luís Forra/Lusa

No debate quinzenal, na interpelação ao primeiro-ministro, o PSD falou do SMS enviado por António Costa a um diretor-adjunto do Expresso. O líder do PS disse depois que Montenegro e o PSD deviam estar mais preocupados com os verdadeiros assuntos como o desemprego. “É um não-assunto”, disse.

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor da SIC

A acusação foi direta a António Costa: "Quando tenta coagir, condicionar ou intimidar o exercício da liberdade de imprensa, o prenúncio merece uma denúncia clara. Onde está o PS que tanto fustigou, por exemplo, o ex-ministro Miguel Relvas, que chamou ao parlamento para explicar o conteúdo de um pretenso telefonema? Onde está esse PS? Onde estão as vozes que, muitas vezes de forma rápida e habitual, emergem para falar da liberdade de imprensa?", questionou Luís Montenegro no debate quinzenal, esta tarde na Assembleia da República. 

O assunto do polémico SMS enviado no dia 25 de Abril por António Costa a um diretor-adjunto do Expresso, João Vieira Pereira, tomou assim conta de parte do debate quinzenal com o primeiro-ministro. A intervenção de Montenegro, recuperando a polémica, gerou protestos na bancada socialista com o líder parlamentar do PSD a insistir que o caso não é “uma questão de trica política” ou uma “questão pessoal”. Montengero defendeu mesmo que “corresponde à linha que define de uma forma inexorável toda uma cultura de poder, e isso interessa a todos, e interessa à democracia”.

A resposta do PS viria depois e pela boca do próprio António Costa que não hesitou em classificar o caso como um “não-assunto”. E que há matérias bem mais relevantes: "Francamente, acho que isso é um não-assunto. Assuntos reais que deveriam preocupar o líder parlamentar do PSD é mais uma subida do desemprego. Esse é que é um assunto sério", contrapôs o líder socialista.

Costa disse ainda que a liberdade de expressão “felizmente existe em Portugal” e que é mesmo “uma das grandes conquistas” da democracia. Mas não deixou de sublinhar que “quem se sente ofendido pode protestar”. "É evidente para todas as pessoas que, quem se sente ofendido, tem o direito de protestar e que nenhum jornalista se sente ameaçado. Tenho a certeza que o próprio [João Vieira Pereira] também não se sentiu [ofendido] pela forma aliás muito atenciosa como me respondeu também por SMS", respondeu o secretário-geral do PS.

Em causa está um SMS enviado por António Costa a João Vieira Pereira, que foi tornado público na sua coluna de opinião na última edição do semanário Expresso. Vieira Pereira explicou que recebeu o SMS em reação a uma crónica sobre o plano macroeconómico do PS.