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Passos para Portas: ''Gaspar não vai aceitar ficar e eu, no lugar dele, também não aceitaria''

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José Ventura

É oficial. Passos culpa Portas pela saída do seu primeiro ministro das Finanças. ''A sua permanência no Governo seria um obstáculo à sua coesão'', afirma o PM na sua nova biografia.

Pedro Passos Coelho assume que a péssima relação entre Paulo Portas e Vítor Gaspar acabou por levar à demissão do seu primeiro ministro das Finanças. Ele próprio disse-o a Portas: ''O Vítor não vai aceitar esta situação mais tempo. Temos que estar preparados. Ele não vai aceitar ficar e eu, no lugar dele, também não aceitaria'', afirma o primeiro-ministro na sua nova biografia autorizada, ''Somos o que escolhemos ser''.

No capítulo dedicado à crise do verão de 2013, conta-se como o sétimo exame regular da Troika tinha sido invulgarmente complexo e demorado. Tratava-se de encontrar medidas alternativas a mais um chumbo do TC no valor de 1,3 mil milhões, ''tudo menos óbvio e fácil''.

Entra Passos Coelho em discurso direto: ''Quando julgámos que tinhamos conseguido e depois de todo o trabalho ter ficado fechado, Paulo Portas comunicou-me que não poderia aceitar certas conclusões. Entre os elementos da troika reinava a incredulidade ...'', afirmou o PM à biografa.

''Nessa altura eu percebi que o ministro das Finanças não teria condições para continuar'', conclui o biografado.

Passos identificou um nome, Maria Luís Albuquerque, e apresentou-o a Portas ''15 dias antes da efetiva demissão de Gaspar''. Paulo Portas não concordou ''e sugeriu um nome alternativo. Passos Coelho manteve a sua posição e aguardou a validação do parceiro de coligação antes de enviar a lista para a Presidência da República''.

No dia da tomada de posse, 2 de julho (por erro, o livro refere o dia 3), ''Portas foi a S. Bento ao fim da manhã. Afirmou não estar confortável com a escolha de Maria Luís Albuquerque porque singificaria que Passos Coelho continuaria a ser informalmente o ministro das Finanças''.

A biografia autorizada diz que ''quando Paulo Portas saiu de S. Bento, Pedro Passos Coelho estava longe de equacionar o cenário que se seguia'': a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros por sms. ''Fui almoçar e às 15h00 recebi um sms do dr. Paulo Portas a dizer que tinha refletido muito e se ia demitir''.
  • O sms de Passos que fez rebentar a crise

    Uma semana depois de rebentar a crise no Governo em julho de 2013, o Expresso escrevia sobre o tema. Aqui fica a descrição dos dias loucos desse verão quente do Executivo Passos/Portas. Republicamos o artigo saído na edição impressa do Expresso de 6 de julho desse ano.

  •  Uma crise anunciada

    Em 2013, a crise no Governo foi eleita pela redacção do Expresso como o acontecimento nacional do ano. Aqui fica o texto de Filipe Santos Costa que resume o que se passou naqueles meses escaldantes. Republicamos o artigo saído na edição do Expresso de 21 de dezembro desse ano.