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Portas. "O que o dr. António Costa disse bem aos chineses acaba agora por confessar aos portugueses"

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FOTO MÁRIO CRUZ / LUSA

Vice-primeiro-ministro observou as propostas económicas do PS e viu um "programa de instabilidade". Portas, que se pronunciou no Parlamento durante o debate do Programa Nacional de Reformas e do Programa de Estabilidade, sustentou que a "agenda para a próxima década" do PS tem um modelo "demasiado parecido com o que levou à erosão em 2009 e à tragédia em 2011".

Arrasador. É talvez este o adjetivo que melhor caracteriza a intervenção de Paulo Portas esta quarta-feira de tarde, no Parlamento, relativamente ao programa económico do PS. O vice-primeiro-ministro defendeu que as propostas socialistas conduzirão o país a um novo resgate, com o inevitável regresso da troika.

"O plano algo miraculoso do PS só é em si mesmo apresentável porque o ponto de partida de hoje é bem mais positivo do que alguma vez o PS previu. O que o dr. António Costa disse bem aos chineses acaba agora por confessar aos portugueses", disse Paulo Portas. O vice-primeiro ministro fazia referências às declarações do líder do PS em fevereiro: na altura, na qualidade de presidente da Câmara de Lisboa, António Costa admitiu que Portugal está numa situação "bastante diferente daquela em que estava há quatro anos" - para melhor, entenda-se.



Para Paulo Portas, as propostas económicas do PS estão mais próximas de um "programa de instabilidade" do que de um programa de estabilidade. "O debate de hoje [no Parlamento sobre o Programa Nacional de Reformas e o Programa de Estabilidade] decorre de um compromisso dos Estados europeus de entregarem até 30 de abril um programa de reformas e estabilidade. Não é uma originalidade de Portugal, é um procedimento que a Europa impõe, mas que não aconteceu durante a crise, quando a troika cá estava. É sinal de que Portugal recuperou a sua liberdade e cumpre as suas responsabilidades no quadro europeu", sublinhou.

Acusando o anterior governo socialista de fazer promessas aos funcionários Públicos antes das eleições, acabando por efetuar depois cortes, Paulo Portas defendeu que as novas propostas do PS conduzirão o país a um a "dívida monstruosa" - 10 pontos acima daquela que o Executivo prevê - e a um "défice assustador".

"No plano ontem apresentado, o PS dispõe-se a aumentar de novo o défice, desprezar de novo a dívida, e a defender que o crescimento se faz pelo investimento e pelo consumo, ignorando a competitividade fiscal e laboral (...). O modelo é demasiado parecido com o que levou à erosão em 2009 e à tragédia em 2011 ", frisou.

Paulo Portas acusou ainda o PS de querer criar com as suas propostas o "maior buraco de sempre" na Segurança Social e na Caixa Geral de Aposentações, ameaçando a sua sustentabilidade, e de produzir um "veneno" contra a criação de emprego.

Considera também um erro o fim da política seletiva no que diz respeito ao rendimento mínimo, proposta pelo PS, o que na sua visão abrirá portas a novos abusos. 

O vice-primeiro-ministro sustentou ainda que o programa económico socialista     contém vários riscos, podendo transformar-se num novo memorando de entendimento. Em abono do PS, há coerência num ponto, ironizou Portas: "O PS à troika nos levou uma vez e, se lhe déssemos novo mandato, à troika nos levaria uma segunda vez".