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Cavaco vê mais competitividade e sustentabilidade na economia portuguesa

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O Presidente da República de Portugal, Cavaco Silva, acompanhado da primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, falam aos jornalistas após um encontro em Oslo, Noruega

FOTO ANTÓNIO COTRIM / LUSA

"Depois de três anos particularmente difíceis, Portugal corrigiu os desequilíbrios macroeconómicos", diz o Presidente, que está de visita à Noruega.  Ministérios da Defesa português e norueguês assinaram carta de intenções.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Cavaco Silva voltou esta segunda-feira a afirmar que, depois das reformas estruturais realizadas nos últimos anos, a economia portuguesa é hoje mais competitiva, mais sustentável e mais integrada nos mercados globais.

"Depois de três anos particularmente difíceis, Portugal corrigiu os desequilíbrios macroeconómicos, recuperou o acesso pleno aos mercados e a economia iniciou uma trajetória de crescimento e de criação de emprego", disse o Presidente na intervenção que pronunciou no jantar oficial oferecido pela primeira-ministra norueguesa.

Já anteriormente, na conferência de imprensa conjunta com a primeira-ministra Erna Solberg, Cavaco Silva tinha tido ocasião de salientar esse aspeto como uma espécie de cartão de visita para o reforço das relações económicas com a Noruega, relações essas que, segundo o governante português, estão "muito abaixo do seu potencial".

Um dos "ativos" para o investimento em Portugal é precisamente a sua posição estratégica entre a América do norte e sul e África, afirmou ainda a esse propósito.

Um fundo milionário
A Noruega é considerada um dos países mais ricos do mundo, com a maior reserva de capital per capita de qualquer outra nação. O seu fundo soberano está avaliado em cerca de seis triliões de coroas norueguesas (algo como 850 mil milhões de euros) e atua de forma autónoma.

Para Portugal, seria ouro sobre azul se parte do investimento que o fundo faz em projetos na Europa e em outras partes do mundo acontecesse no seu território. Mas a primeira-ministra da Noruega afirmou que as decisões do fundo são totalmente independentes.

A primeira-ministra salientou todavia algumas áreas onde os dois países podem cooperar em conjunto, citando, por exemplo, a energia (e a respetiva tecnologia em águas profundas), bem como a aquacultura.

"O nosso papel é criar um ambiente favorável para os empresários", disse Solberg, que no decurso das conversações com o Presidente Cavaco manifestou a vontade de estreitar relações económicas e comerciais com Portugal.

Imigrações e tragédia
Nas conversações, Cavaco Silva e Erna Solberg abordaram também o tema das migrações e a situação no Mediterrâneo, considerada dramática e uma "tragédia" por ambos.

Portugal tem dado o seu contributo para a estabilidade nos flancos leste e sudeste, enviando tropas e forças, disse Cavaco Silva, para salientar que é preciso olhar para o Magrebe e pensar no que se tem de fazer para conter a instabilidade nesta parte do mundo.

Erna Solberg, por sua vez, lembrou que "é preciso olhar para as raízes do problema, a instabilidade, o terrorismo, a falta de futuro nos países africanos", tudo questões difíceis e complexas, disse. "Temos de discutir mais como contribuir para melhorar a estabilidade na região", afirmou.

Uma première na Defesa
O mesmo tema foi, aliás, objeto de conversações separadas entre o ministro da Defesa Aguiar -Branco e o seu homólogo norueguês, que assinaram esta segunda-feira de manhã uma carta de intenções. Os assuntos foram, entre outros, segurança marítima, a ciberdefesa, o combate ao terrorismo e ao narcotráfico.

Segundo Aguiar-Branco, a Carta é muito importante "porque é a primeira vez que há um contacto bilateral na área da defesa e comunhão de vontades entre os dois países" e que pode abrir a porta a negócios favoráveis no setor, onde Portugal tem capacidades na área naval, software e tecnologias.

Quanto à questão da Embraer, que não estaria disposta a entregar à parte portuguesa dos dividendos relativos a 2014, alegando ser credora de uma verba relativa aos aviões KC-390 - um tema levantado pelo jornal "Público" - o ministro escusou-se a responder, afirmando que se tratava de "uma matéria que estava a ser seguida pelo Ministério da Economia".