Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Trigo Pereira: "Se o PS mantiver a cultura do passado, isto não funciona"

  • 333

Paulo Trigo Pereira (último à direita) explica que este programa não é do PS, é de 12 economistas dos quais vários (como ele própio) nem sequer são filiados no partido

Marcos Borga

É um dos 12 economistas que entregou a agenda para a década, encomendada pelo PS. Diz que as propostas não são mais do mesmo. Mas que implicam que o PS tenha mudado de cultura em relação ao tempo de Sócrates. Trigo Pereira (último à direita na foto) acredita que a Grécia vai sair do euro. E que Portugal pode ter necessidade de um novo resgate. "Basta os juros subirem".

"Se o PS mantiver a cultura que teve no passado, não se consegue implementar isto", afirmou Paulo Trigo Pereira ontem à noite na Rádio Renascença. "Isto" é a "Agenda para a Década", que um grupo de 12 economistas, coordenado por Mário Centeno, entregou esta semana a António Costa.

Paulo Trigo Pereira explica que este programa não é do PS, é de 12 economistas dos quais vários (como ele própio) nem sequer são filiados no partido. 

Mas o programa precisa de mais do que de um PS diferente do do tempo de Sócrates. Precisa de ser implementado num ambiente de estabilidade política.

Próximo governo tem de ser maioritário

"Sou completamente contra que qualquer Governo neste país seja minoritário. Este país é ingovernável com governos minoritários na próxima legislatura", afirmou aos microfones da Renascença. "A próxima legislatura vai ser uma legislatura difícil ainda, de grande contenção orçamental. Só daqui a duas legislaturas é que eu acho que, se tudo correr bem, nós temos a dívida a cair."

A estabilidade política, em caso de o PS ganhar sem maioria absoluta, pode vir de uma série de combinações, admite o economista. "Partidos como o Livre - conheço bem o Rui Tavares - poderiam perfeitamente endossar isto", diz. E enumera medidas de esquerda propostas: "Pomos um imposto sobre as heranças, aumentámos a progressividade do IRS, fazemos um forte combate à precariedade. Não tocamos num aspecto muito importante, mas estou em crer que o PS vai abordar: os recibos verdes. Há uma série de medidas que partidos que acham que são de esquerda podem perfeitamente subscrever."

Para Trigo Pereira, também um PSD menos liberal e mais social-democrata poderia compatibilizar-se com este programa. Até porque, se o PSD perder as eleições, Passos Coelho tem de demitir-se, assevera. 

Novo resgate? Sim, já é possível

Paulo Trigo Pereira considera que não estamos a salvo a uma nova intervenção externa. "Basta os juros subirem", afirma. É que "a principal razão pela qual recorremos a um resgate está agravada, que é o rácio da dívida no PIB, subiu e ainda não começou a descer. Isto é tudo cenários. Nós precisamos ainda de uma legislatura inteira para consolidação orçamental."

O economista está aliás convencido de que a Grécia vai mesmo acabar por sair do euro. Mas não dramatiza os efeitos dessa saída sobre Portugal.