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Costa é perentório. "Ninguém peça ao PS compromissos com este Governo"

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FOTO Alberto Frias

Numa sessão de homenagem promovida pelo PS aos seus 141 deputados eleitos para a Assembleia Constituinte em 1975, o líder socialista lembrou que o "voto é a arma do povo" e que 40 anos depois é fundamental que os portugueses voltem a acreditar que são as eleições que permitam escolher alternativas.

O secretário-geral do PS recusou este sábado os apelos ao seu partido para "compromissos, consensos ou conciliação" com o Governo, contrapondo que o voto é a arma do povo e que a escolha faz-se entre alternativas.



António Costa falava numa sessão de homenagem promovida pelo PS aos seus 141 deputados eleitos para a Assembleia Constituinte em 1975, cerca de duas horas depois de o Presidente da República, Cavaco Silva, ter discursado no parlamento no encerramento da sessão solene comemorativa dos 41 anos do 25 de Abril de 1974.



Na sua breve intervenção, feita de improviso, o secretário-geral do PS referiu-se indiretamente aos apelos ao consenso feitos pelo Presidente da República, começando por sustentar que ninguém melhor do que o seu partido "sabe que o diálogo é a componente essencial da democracia - diálogo entre os partidos políticos e as forças sociais".



"Mas as eleições são um momento de escolhas e, como há 40 anos se dizia, o voto é a arma do povo, porque o voto decide, permitindo fazer diferente ou o mesmo - e 40 anos depois o fundamental para que os cidadãos voltem a acreditar que vale a pena votar é que as eleições permitam escolher entre diferenças", advogou.



Por isso, de acordo com António Costa, "que ninguém peça ao PS compromissos, consensos ou conciliação com a política que quer mudar".



"Pedimos ao povo o mandato de podermos mudar a atual política e virar a página da austeridade. É essa a mudança que é necessária e que queremos fazer", vincou, recebendo muitas palmas.



Na sua intervenção, António Costa referiu também as mudanças de percurso operadas em muitos dos partidos políticos ao longo dos últimos 41 anos de democracia, apontando que "alguns daqueles que combateram a Assembleia Constituinte são hoje dos maiores defensores da Constituição".



 "Alguns daqueles que então aprovaram a Constituição da República revelaram-se nos últimos anos dos maiores inimigos da Constituição. Mas nesta mudança há algo que permanece firme, que é a identidade do PS. Da mesma forma como então nos batemos pela liberdade e pela consolidação da democracia, também nos batemos hoje pela defesa do Estado social como garantia fundamental do Portugal de Abril e do Portugal do futuro", acrescentou.